O Cônsul “assassino”

O cônsul Aristides de Sousa Mendes, que “alegadamente ajudou salvar vidas judias durante a II Guerra Mundial (…) pôs exactamente em risco a perenidade de Portugal e a vida de todos os portugueses ao desrespeitar as ordens do Presidente do Conselho e daí a célebre repreensão que António de Oliveira Salazar deu ao diplomata, acção essa que tem sido propositadamente e politicamente mal interpretada e contada pelos políticos de Abril.” – escreve um rapaz inteligente e precoce, de seu nome Vitorio Cardoso, no Portas do Cerco.

Sabe-se, pelo que o mesmo escreve nesse blog, que nasceu no extremo-oriente, lê muito Franco Nogueira e integra a “Ala dos Namorados”, secção juvenil da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Sabe-se também que tem alguma dificuldade de percepção, quando é colocado perante uma frase irónica. Daí o seu júbilo perante a manchete de “O Independente” glosando a fúria contra os cartoons dinamarqueses. A subtileza de pensamento não parece ser o seu forte. É mais um rapaz de convicções. Daqueles que acredita sem hesitações?

17 Responses to O Cônsul “assassino”

  1. alguem proximo do rapaz inteligente e precoce diz:

    Gostaria de perguntar qual o sentido e/ou interpretação autêntica a dar ao título do Independente.
    Há que haver honestidade de racíocinio…

  2. No coments Observer!
    You are Crazy.

    (Nunca, ao Nacionalismo… qualquer forma que ele tenha!!)

    Allien 3

  3. Allien 3 diz:

    (Nunca, ao Nacionalismo…)

  4. Para alguem proximo do rapaz inteligente e precoce: quando um valor comum e fundamental a todos os europeus – sobretudo aos que usam blogs para difundir as suas ideias – é atacado, todos nós somos atacados. “Somos todos dinamarqueses” tem um sentido idêntico à frase de John Kennedy, quando disse “Ich bin ein Berliner”, diante do muro de Berlim. Percebeu agora?

  5. Caro Observador,

    Pela grande inteligência dos ditados populares portugueses e latinos, grande sabedoria paira, convido à meditação de alguns provérbios multisseculares:

    “quem semeia ventos, colhe tempestades”;

    “Ne festines in tempus obductionis” – Não te apresses no tempo da adversidade;

    Ne litem subeas; a seditione cavebis. [Pereira 101]. Não te metas em disputa; guardar-te-ás de tumultos. De arruídos guarda-te, não serás testemunha nem parte;

    Ne temere Abydum naviges. [Suidas / Albertatius 860]. Não te arrisques a navegar para Ábidos. (=Era muito perigosa a navegação para a cidade de Ábidos). Não metas a mão onde te fiquem as unhas. O melhor lance dos dados é não jogá-los;

    Ne quis feminae, puero, cani alterius, et garrulo faciat bene. [Schottus, Adagia 264]. Ninguém faça favor a mulher, a menino, a cão alheio, e a homem falador. (=Ninguém faça favor a quem não retribuirá);

    Ne spectes cui gratificeris, sed cui ingratum facias. [Grynaeus 776]. Não olhes a quem farás favor, mas a quem farás ingrato;

    Ne quid detrimenti respublica capiat. [Cícero, In Catilinam 1.4, adaptado]. Que o país não sofra nenhum prejuízo;

    Ne sis sapiens apud temetipsum; time Deum, et recede a malo. [Vulgata, Provérbios 3.7]. Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme a Deus, e aparta-te do mal;

    Talvez, me tenham suscitado certas dúvidas, pois gostaria de saber se a religião, o Cristianismo e a Cruz, são ou não um valor fundamental da Europa e se a liberdade de expressão “irresponsável/ilimitada” a sobrepõe?;

    Julgo que ambos sabemos fazer leituras subentendidas.

    O que entende por direitos, deveres e responsabilidades?

    No quadro da construção Europeia, defende o federalismo ou o inter-governamentalismo na relação dos estados membros?

    Qual o último reduto da defesa da identidade nacional, das liberdades, garantias e independência de um Povo?

    1. Governo;
    2. Nação;
    3. Pátria;
    4. Estado;
    5. Povo;
    6. Estado-Nação;
    7. País;

    O que está em primeiro lugar?

    1. O interesse nacional ou a interferência nos conflitos de terceiros?

    Vê Portugal como Portugal, ou um Portugal diluído e entrosado no espaço europeu?

    Obrigado.

  6. Caro Vitorio:

    O Cristianismo é um valor fundamental da Europa – abandonado o costume de queimar vivos todos os que classificasse como hereges ou judeus. O Cristianismo das fogueiras nunca seria um valor fundamental da Europa. Só o é, agora, porque aprendeu a conviver com cartoons, filmes, pinturas e livros onde não há limites religiosos à Liberdade de Expressão e deitou fora a caixa de fósforos (vide O Código de Da Vinci).

    Direitos, deveres e responsabilidades podem ser resumidos numa frase: “Não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti”. No quadro da construção europeia, defendo uma rápida anexação de Portugal pela Espanha, de forma a que consigamos ter um nível de vida idêntico e vejo como inevitável a constituição dos Estados Unidos da Europa.

    Sem ironia e com toda a sinceridade, só vejo algo parecido com a identidade nacional no sentimento que se gera em torno da seleccção de futebol, em campeonatos europeus e mundiais. E quando fala de conflitos com terceiros e interesse nacional, lembro-me sempre das praias da Normandia e dos cemitérios americanos e canadianos naquela região. Sabe que as tropas americanas sofreram três mil baixas (mais de um milhar de mortos) nas primeiras três horas de desembarque, em Omaha Beach?

    Melhores cumprimentos e obrigado pelo interessante debate

  7. Prezado,

    Transcrevo-lhe na íntegra um interessante post copiado do blog “O Sexo dos Anjos” que poderá servir de apoio à nossa discussão, pois é a isto tudo o que quis referir ao longo do tempo!
    Mas antes reforço as posições defendidas com os seguintes elementos:

    1. Inês Serras Lopes, não creio ser católica praticante, e os manifestantes (de solidariedade) portugueses pro causa dinamarquesa eram na sua maioria não crentes, elementos da esquerda política, ateus, agnósticos tb provavelmente, enquanto que provavelmente, nenhum crente praticante aderiu à manifestação das vinte alminhas, na rua Castilho… Daí, também a considerar de mau gosto, a manchete do jornal. Porque a maioria dos portugueses por serem crentes, católicos e por esta ser a sua tradição e identidade, não alinham nessas guerras contra a Fé!

    Não sei se me fiz perceber o sarcasmo do post no meu blog, pois a brincar, a brincar, quis dizer que essas pessoas provavelmente, não as poderei considerar portuguesas mas sim estrangeiradas, pois não estavam a defender a tradição e a identidade da lusitâniedade católica de Portugal.

    Espero ter percebido, a minha pessoal revolta.

    Quanto ao seu comentário,

    “Sabe-se também que tem alguma dificuldade de percepção, quando é colocado perante uma frase irónica. Daí o seu júbilo perante a manchete de “O Independente” glosando a fúria contra os cartoons dinamarqueses. A subtileza de pensamento não parece ser o seu forte. É mais um rapaz de convicções. Daqueles que acredita sem hesitações?”

    considero-o infeliz, por não ter percebido o verdadeiro espírito da minha crítica, que estava subjacente a ideia já exposta e por todas as razões até agora divulgadas.

    “EVITAR UMA GUERRA «RELIGIOSA» PROVOCADA E CHEFIADA POR ATEUS”

    Para concluir com os motivos de interesse que logrei encontrar por entre a espessura: vale a pena ler a entrevista de Manuel Fraga Iribarne, velha raposa da política espanhola e ibérica e que tem muito para dizer sobre a história destes últimos cinquenta anos; Salazar e Franco, Franco Nogueira, as relações luso-espanholas desde a década de trinta, a transição espanhola, a revolução portuguesa, são assuntos aflorados pelo olhar astuto do velho político galego.
    Finalmente, o artigo de opinião de Jaime Nogueira Pinto. Gostei muito, e devo confessar que com alguma surpresa. O texto, oportunamente intitulado “guerras religiosas, não obrigado!”, merece ser lido e destacado. Tratarei de o colocar aqui, logo que tenha tempo para o passar.
    Muito bem feita a observação crucial sobre os animadores e entusiastas desta “guerra de religiões”: eles não têm religião nenhuma! Mas querem que os que têm marchem em luta apocalíptica entre si…
    “Os que temos fé – e aqueles que não a tendo, têm o sentido do sagrado e do respeito pelo sagrado dos que estão connosco nesta «civitas», que é o mundo – não nos podemos deixar, como nos Balcãs, arrastar para uma guerra «religiosa», provocada e chefiada por ateus”.

  8. Prezado Observador,

    Recomendo leitura do artigo de Jaime Nogueira Pinto, publicado no jornal ‘Expresso’.

    Para facilitar, transcrevi o artigo e poderá encontrá-lo no blog “Portas do Cerco”:

    http://passaleao.blogspot.com/2006/02/lido-guerras-religiosas-no-obrigado-de.html

    Talvez possa contribuir para compreender melhor o sarcasmo dos meus artigos, mal entendidos por si.

    Cordiais saudações.

  9. Alguém muito próximo do rapaz inteligente e precoce diz:

    Já desconfiava que a sua resposta fosse essa. Mas fique sabendo que esse valor fundamental que fala, não vale contra sempre contra tudo e tudos. Fazer haver da liberdade de expressão a arma para ferir os muçulmanos é subverter à ideia de direitos, liberdades e garantias. Nem todos têm a mesma mundividência, e numa época em que não se estranha ver uma figura religiosa a ser sodomizada, o que diria se fosse publicado o caricaturas do Dr. Soares, Louçã, Jaime Gama, Socrates, e outras individualidades da nossa praça em práticas semelhantes? (Nem se invoque o facto de estes estarem vivos).
    Por último, queria lembrar que o problema de fundo é perspassa em muito um problema de valores ou liberdades, de direitos fundamentais. Não se esqueça que nenhuma das constituições europeias, vigoram se não nos seus próprios paises (ainda parace haver soberania…). É um verdadeiro problema de relações externas e de politica externa.
    Em jeito de conclusão, até a Contituição Portuguesa, que nos serve de referência por uma questão de proximidade, o artigo 18º nº2 admite restrições aos direitos fundamentais, mais interessante é uma obra do Prof. Jorge Reis Novais, intitulada “as restrições aos direitos fundamentais não expressamente autorizados pela constituição”. No que toca a direitos fundamentais, não se trata de fazer um juízo de tudo ou nada (Robert ALexy)

  10. Meu caro “próximo do rapaz inteligente e precoce”: acima de todos os direitos e sem nenhuma restrição possível, para mim, está o direito a discordar sem ser degolado. Concorda?

  11. Meu caro Vitorio Cardoso: Vamos transferir esta polémica para a face mais visível da bologosfera? Se não vir inconveniente, respondo-lhe num post do meu blog, ok?

  12. Um pormenor, ainda para o “próximo do rapaz inteligente e precoce”: escreve você que estamos numa época em que não se estranha ver uma figura religiosa a ser sodomizada. Eu diria que o contrário também é verdade, olhando para os recentes escândalos de pedofilia no seio da Santa Madre Igreja…

  13. alguem prox do rapaz precoce diz:

    e? Pois é. É ao estado a que isto chegou…

  14. alguem prox do rapaz precoce diz:

    Respondendo à sua questão. sim!! Absolutamente! Mas lembro que os erros dos outros nunca justificam os nossos próprios erros. O facto de haver degolados, deve ser condenado em absoluto (aqui sim)!Sou contra! Mas não serve de argumento a favor do insulto. As divergências conhecem limites e, questões mais susceptiveis têm ser alvo de uma maior ponderação…Havemos de ser inteligentes e tolerantes para perceber isso, não concorda?

  15. As restrições aos direitos fundamentais, meu caro, admitem-se em situação de excepção e/ou nos casos previstos na lei. Aceitar que eu não posso fazer uma caricatura de Maomé ou de Alá, só porque os outros – os maometanos – assim o exigem é o mesmo que obrigar a minha mulher a colocar uma burka, sempre que passe diante de um maometano.

  16. […] assessor de Imprensa com opiniões fortes Em Fevereiro de 2006, comentei aqui um texto de um jovem inteligente e precoce, de seu nome Vitório Rosário Cardoso, publicado num […]

  17. Vitorio Rosario Cardoso diz:

    Exmo(a). Senhor(a),

    Solicito que sejam apagados todos os coment獺rios assinados com o nome “vit籀rio ros獺rio cardoso” uma vez que foram publicados por um “clone”, que tem como inten癟瓊o de denegrir e difamar.
    Este caso j獺 est獺 a ser seguido pelas autoridades policiais competentes.

    Atenciosamente,
    Vit籀rio R. Cardoso

    Dear Sir/ Madam,

    Please delete all comments signed with the name “vit籀rio ros獺rio cardoso” because are not published by the original author but by a “clone” that only aims to damage my reputation.
    This case is already followed by the police authorities.

    Thank you for your attention,
    Vit籀rio R. Cardoso

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