Notas soltas, 1 de Maio de 2006


Morangos sem açúcar

Espero ansiosamente pelo dia em que será transmitida uma morte em directo: o estertor, os roncos surdos, as convulsões, o espumar e salivar e, por fim, o relaxamento do esfíncter, esvaziando os intestinos do morto, o cheiro a dejectos humanos…bem, a televisão ainda não consegue transmitir cheiros. Mas A TVI, mais dia, menos dia, consegue resolver isso. Hummmm… Se calhar, vou desenvolver isto e mandar ao José Eduardo Moniz, como guião para um reality show…

Hamas, o pior inimigo do povo palestiniano
Os radicais não ganharam terreno. Sempre lá estiveram. Mas havia uns rapazes que afivelavam a máscara de moderados. Não conseguiram continuar a farsa e o Hamas teve que dar a cara. O que é bom. Agora, vitória ou morte. Para o Hamas e para Israel. O mesmo acontecerá à Europa, se esta for inocente ao ponto de deixar entrar a Turquia. É certo que eles já estiveram às portas de Viena. Mas quem se junta aos seus inimigos, às mãos lhes morre.

Histéricos de Esquerda
Um dos muitos mentecaptos que pululam pela blogosfera falava recentemente em “estado policial”, a propósito dabusca feita ao jornal “24 Horas”. Num estado policial, meu caro idiota, tinham dado com uma barra de ferro nos tornozelos do director até lhe esmigalharem os ossos e atiravam-no pela janela fora. Depois, abatiam com um tiro na nuca os dois jornalistas que escreveram o artigo. Mas não o fizeram. Actuaram de acordo com a lei, com os tribunais, com a Constituição. Gente como você, que grita “lobo” sempre que vê um simples caniche, é o que há de mais pernicioso para Democracia.

E por falar em lobos
Ser livre sempre teve consequências. No meu livro da 4ª classe havia a história de um lobo e de um cão. No pino do Inverno, o magro lobo cruza-se com o cão anafado e pergunta-lhe como consegue estar assim. Explica o cão que o dono o alimenta todos os dias. O lobo decide segui-lo, quando repara numas marcas no pescoço. “O que é isso”? – pergunta o lobo. “São as marcas da coleira que o meu dono me coloca” – responde o cão. E o lobo mudou de caminho e escolheu a fome…

Vem aí o “Campo dos Santos”
A guerra no Irão começou antes de ter início a guerra no Iraque. É uma só guerra, e é a mesa guerra que se trava há séculos. Vai ampliar-se, estender-se, envolver mais países, e a Europa cobarde e amorfa vai tentar, primeiro, assobiar e passar despercebida. Mas lá chegará o dia em que os teremos às portas de Viena e nas muralhas de Lisboa. Nesse dia, despertarão aqueles homens que, ao longo dos séculos, fizeram aquilo que a Europa é hoje: uma civilização, baseada em cultura, valores e princípios.

A tragédia da fome no mundo
Morrer e matar é a ordem natural das coisas. Só adolescentes de 16 anos e quarentões que nunca conseguiram amadurecer é que pensam que o mundo há-de ser perfeito, um dia, e ninguém há-de morrer de fome ou ser morto em guerras causadas por interesses económicos. Choraminguices e lamúrias, nesta matéria, apenas traduzem problemas de equilíbrio emocional e psicológico, caracterizados por uma recusa em enfrentar a realidade, uma tendência para mergulhar em sonhos e delírios e uma incapacidade de alcançar a maturidade. Darfur é apenas um episódio mais, como o 11 de Setembro, como Madrid, como os ataques da guerrilha aos oleodutos da Nigéria.

O grunho da Madeira
A forma como este homnídeo, Alberto João Jardim, ronca para os microfones dos jornalistas, quando está na Madeira, e o tom quase humano do seu discurso, quando está em Portugal, são como a noite o dia. Ou, se calhar, antes e depois do almoço. Insulta, é bronco, é bruto, é malcriado, é arrrogante, torna-se racista com as constantes distinções entre os do “continente”, o que se passa no “continente”, a política do “continente”. O soba da Madeira, o líder do único Bantustão europeu, é um incontinente verbal. E chula o Orçamento nacional como se não fosse português. Caramba, até dava jeito que não fosse. Do que ele precisa é de um empurrãozinho para a independência. Ou então, que seja resuscitado o Imposto da Palhota, a pagar pelos madeirenses. É o preço certo, para se ter um soba.

Tempo de antena para um pedófilo
A TVI sentou o Carlos Silvino diante de uma câmara de televisão e arranjou alguém para pegar no microfone. A seguir, deu-lhe tempo de antena. Ganhou audiência e ‘share’. Foi só incompetência e ganância? Quem orientou Silvino, quanto ao momento em que devia dar uma entrevista? E sobre a justificação da sua inocência – eu também sou vítima, também fui violado – não consegui deixar de pensar na velha desculpa de Nuremberga: “Eu só obedeci a ordens…”

Um especialista atrasado mental
O Correio da Manha tem que ser mais cuidadoso com as fontes que contacta. A propósito do apagão no Multibanco, foi ouvir um especialista que garantiu que o sistema informático da SIBS é à prova de bala. Confundir um óbvio atrasado mental com um especialista em informática, é perigoso. Nenhum sistema é 100 por cento seguro. Qualquer especialista concorda com isto.

A novela da Lusa
Anda por ali uma confusão dos diabos, com os jornais a falarem de intromissões do Governo na escolha da nova Direcção da Lusa. Mas o que veio à luz do dia – ou ao bloco da blogosfera – ainda é pouco. Investiguem, investiguem, ó jornalistas-estrelas que se têm em tão alta conta: cheirem lá pelos lados de Castelo Branco, farejem por Macau, esgravatem um bocadinho em Belém e mostrem-se curiosos acerca de negócios de hotelaria, restauração, Imprensa regional e turismo, tudo à mistura com socialistas, meios castrenses e sínicos investimentos. Vão ver como se faz luz nesses vossos pequeninos cérebros.

5 Responses to Notas soltas, 1 de Maio de 2006

  1. Ana diz:

    A TVI usou e abusou do facto de um actor da estação ter morrido para subir as audiências…. O João Jardim não sabe o que diz, mas olha que por vezes até sabe o que faz…. É óbvio que a TVI ia pôr mais cedo ou mais tarde o Bibi à frente de uma câmara. Não te lembras do Carlos Cruz a chorar baba e ranho em directo?

    Mas… Só lês o ‘Correio da Manhã’ e o ’24 horas’? Só vês a TVI? Se calhar devias passar os olhos pelo ‘Público’ ou pela SIC Notícias…. aí faz-se bom jornalismo, na maior parte das vezes….

    bom feriado….

  2. Cara Ana: Se bem te lembras, o Carlos Cruz esteve em todas as televisões e foi bem “apertado” em qualquer uma delas. Ou seja, questionado, pelos jornalistas, com acutilância e até agressividade (no bom sentido). Foram-lhe feitas perguntas, colocadas questões confrontacionais. O Bibi, na TVI, andou em roda livre. As interrupções do jornalista – não lhe chamo “perguntas” – foram simpáticos pedidos de esclarecimento, num sentido “concordacional”, sobre pormenores. E se reparaste bem, quando se tratava de citar nomes, o olhar do Bibi fixava-se nom ponto determinado, fora do enquadramento da câmara. Uma coisa é entrevistar, outra coisa servir de suporte para microfone.

    O facto de o João Jardim ter razõ, de vez em quando, não justifica os dislates, insultos e sobretudo a baixeza de carácter do homnídeo. Mais grave de tudo é a sua postura perante os que discordam dele: João Jardim acha que socialistas e comunistas não merecem viver, politicamente falando, apenas por serem diferentes dele. É essa a tua noção de Democracia? A minha, não é!

    Para tua tranquilidade, leio o “Público”, sim senhor. Tal como leio o DN, Correio da Manhã, o Courier Internacional, o Expresso, o Independente (é verdade, sou um dos 10 mil portugueses que o lê. Vícios da juventude…), vejo a SIC e a RTP. Parece-me claro que, ao desabafar mais em relação ao que vejo nalguns OCS’s, é por uma questão profiláctica.

  3. Ana diz:

    Caro Máquina Zero:
    longe de mim estar aqui a defender o João Jardim. Aliás, acho que se ele alguma vez chegasse ao poder aqui no continente, estaríamos perante um Jardinismo…. E tenho a certeza que a primeira liberdade que ele ia cortar era a liberdade de expressão, e isso eu não admito. Não só porque sou uma futura jornalista, mas porque sou uma cidadã do Mundo…

    Ainda bem que te manténs assim tão informado. Se todos fossem como tu, os portugueses não eram retratados lá fora como asnos ignorantes. O meu comentário foi somente porque apenas criticas esses jornais…. no hard feelings….

  4. Ana: Ok, no hard feelings…. Mas pensa nos pobres madeirenses que vivem sujeitos aos ditames do AJJ. Imagina-te, como jornalista, a trabalhares na Madeira….

  5. o tyal narciso era o da sic! n morreu. deus e injusto. os jornais v acabar. gostavadeser informado do seguinte: Tudo que da lucro e produz, da emprego as pessoas vai a falencia…… deonde ven o dinheiro para as TELEVOSOES! touso a perguntar.

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