Máquina Zero

Português nojento

Sempre me fascinou a história de Abel e Caim. Que razões poderiam ser tão fortes para levar um irmão a matar o outro imão? Que inveja seria tão violenta, tão possessiva que armasse de um punhal o braço que antes apoiou quem dava os seus primeiros passos? Mais difícil ainda é perceber aqueles que pregam o ódio contras os seus, que os desejam ver destruídos, mortos, aniquilados, invadidos.

A propósito dos imigrantes que vão enchendo Lisboa, um vertebrado que dá pelo nome de Daniel Oliveira e assina uma coluna no Expresso, escreve o seguinte: "Bem lhes podem fechar a porta. Eles entrarão pela janela. Felizmente tomarão conta das nossas cidades, como os portugueses que queriam viver melhor tomaram conta de Toronto, Joanesburgo ou Estugarda. E, se não fôssemos tão estupidamente arrogantes, até fariam qualquer coisa desta Europa aristocrata, falida e snobe. Se tivéssemos aprendido com a América, saberíamos que o futuro é dos melhores. E os melhores são os que partem. Espero que não se integrem na mediocridade nacinal. Que venham muitos e façam disto um país."

Que português nojento é este, que aspira por uma invasão de imigrantes, que apela a que venham cada mais? Que gente é esta, que classifica de imbecis, estúpidos, todos os portugueses e dá como inteligentes, cultos e superiores, todos os estrangeiros imigrantes? Que trauma tem ele, para se odiar assim tanto a si próprio? Será que este vertebrado não é português? Mas se é, porque sente tanto prazer em ver os portugueses substituídos por imigrantes? De onde te vem tanto ódio pelo teu próprio povo, Daniel Oliveira? Algum trauma de infância?