Judiciária em foco

O Diário de Notícias, numa feroz competição com o Público, escreve, em título: "PJ baleou dois suspeitos em três dias". Assim, sem mais nem menos. Instilando no leitor a ideia de que há para aí um grupo de loucos que dá ao gatilho como quem fuma um cigarro, e que ainda por cima são agentes da autoridade.

Lendo a notícia, descobre-se que "na quarta-feira, pelas 8.00, em Rio de Mouro, também no concelho de Sintra, agentes da Polícia Judiciária bateram à porta da casa de dois cabo-verdianos, suspeitos de traficarem droga, nomeadamente heroína (…) Um dos suspeitos ofereceu resistência e conseguiu fugir, levando o agente a disparar um tiro para as pernas na tentativa de o fazer parar (..) Na altura, os suspeitos foram apanhados na posse de dois quilos de heroína, suficientes para mais de 18 500 doses, segundo fonte policial."

Quanto ao segundo "suspeito" (???), a notícia assinada por Inês David Bastos explica que "em Massamá, no concelho de Sintra, depois de ter localizado um homem fugido à justiça, um inspector da Judiciária atirou contra o suspeito quando este, em fuga, tentou atropelá-lo. Segundo fonte policial, o homem – sobre quem recaem dois mandados de captura – tentou atropelar o inspector com a sua viatura depois de o polícia lhe ter dado voz de prisão. Em reacção, o agente disparou. Para a cabeça do suspeito, que tinha sido condenado a seis anos de prisão por tráfico de droga. Fonte do Hospital São Francisco Xavier (Lisboa), para onde o ferido foi transportado, disse ao DN que o suspeito – um guineense de 36 anos – entrou nas 'urgências com uma bala alojada no crâneo"

Muito bem. Algumas perguntas: Quando a jornalista escreve que o agente disparou para a cabeça do suspeito, está a basear-se em quê? Ou em quem? Cita alguém? Falou com o agente da PJ? Esteve lá? Viu? Escreve isso porque o Hospital disse que o indivíduo deu entrada com uma bala no crâneo? E quem lhe garante que o agente quis disparar para a cabeça? Presume ela que o agente da PJ quis disparar para a cabeça? E avança com presunções, numa notícia? Sem frisar que é mera dedução e raciocínio, dadas as circunstâncias? Sim senhor! Bonito jornalismo!

Mais: desde quando é que um indivíduo condenado a seis anos de cadeia por tráfico de droga é um "suspeito"? E só para finalizar: qual é o objectivo de fazer títulos deste género, frisando que a PJ baleou dois suspeitos em três dias? Insinuar que a PJ anda a disparar demasiado? Que os agentes da Judiciária dão ao gatilho com facilidade? Mas em ambas as situações, tal como são descritas, a actuação dos agentes parece ter sido inatacável!

Será que o facto de os dois atingidos a tiro serem africanos influenciou a escrita da notícia? Ou pesou, na elaboração do título? Ou estamos apenas perante a habitual 'alergia' à polícia e a tão rotineira simpatia por tudo quanto é bandido – ainda mais se pertencer a alguma minoria – aliada à violenta oposição a qualquer atitude securitária, como diz o Francisco Louçã (*)? Estas coisas é que a ERC não vê…

(*) Francisco Louçã, líder do Bolo de Esquerda, defende que a Polícia não deve andar armada, à semelhança do que acontece em Inglaterra.

5 Responses to Judiciária em foco

  1. Luar diz:

    Em Portugal, caro Máquina Zero, há sempre muita simpatia pelos bandidos, muito pouca pelas vítimas e nenhuma pela autoridade. Deve haver razões que expliquem o fenómeno. Talvez estupidez?

  2. Os ricos são de Direita, os pobres são de Esquerda. Os polícias estão ao serviço dos ricos. Os bandidos estão ao serviço dos pobres. Viva o Bloco de Esquerda!

  3. luikk diz:

    máquina zero é uma coisa assim parecida com cabeças-rapadas?
    estou esclarecido!

  4. Máquina zero, ó rapazelho, era o corte de cabelo feito aos homens quando iam para a tropa – algo impossível de te acontecer, pois há limites mínimos de QI para o serviço militar.

  5. […] Esperei até hoje, antes de comentar este episódio. Um agente da GNR foi baleado, depois de um suspeito ter resistido á abordagem dos agentes da autoridade. O inicidente foi notícia discreta. Não houve reportagens de página inteira, nem foi entrevistada a família do soldado da GNR, como fez o jornal Público, aqui. Não houve descrições emotivas (”xxx disparou. Para a cabeça do xxxx…”), como fez o jornal Diário de Notícias, aqui. O Bloco de Esquerda não emitiu nenhum comunicado nem pediu a presença de qualquer ministro no Parlamento, para explicar fosse o que fosse, como fez quando aconteceu isto. E o digníssimo Inspector-Geral da Administração Intern, o juiz-desembargador Clemente Lima, não tugiu nem mugiu, ao contrário do que fez aqui. É esta a diferença entre um bandido ser atingido a tiro, quando foge à polícia, e um agente da autoridade ser alvejado, quando nos defende a todos nós. Embora alguns não o mereçam. […]

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