Lapso da fonte ou lapso da Lusa?

Este tipo de situações, em Portugal, nunca são esclarecidas. Sobretudo quando envolvem eminências pardas como a Agência de Notícias Lusa, o maior "jornal" nacional, com cerca de duas centenas de jornalistas, controlado pelo Governo, numa parceria com o antigo dono do restaurante O Buraco, em Luanda. A dita agência Lusa fez circular uma notícia onde um vice-presidente da bancada parlamentar do PS criticava o Governo por este ter feito o anúncio da nova Lei das Finanças Locais sem ter informado os deputados socialistas. O tal vice-presidente, que solicitou o anonimato, explicava até que o anúncio causou mal-estar no Grupo Parlamentar do PS.

Diplomaticamente, o secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita, referiu à Agência Lusa – diz o Portugal Diário – que essas afirmações de um vice-presidente da bancada parlamentar do PS só podiam resultar de um lapso. Porque "na semana passada houve uma reunião convocada pelo responsável nacional do PS para as autarquias, deputado Miranda Calha, para discutir a proposta da nova lei e o que ela tem de inovador (…) O secretário de Estado adiantou que naquela reunião, promovida pela direcção do partido, estiveram ainda presentes, além do próprio, o presidente da Comissão Parlamentar do Poder Local, Ramos Preto, o coordenador do PS nessa comissão, Renato Sampaio e o porta-voz do partido para esta área, deputado Pita Ameixa, assim como vários presidentes de câmara que integram a Associação Nacional dos Autarcas Socialistas."

Hipótese A – Um vice-presidente da bancada parlamentar do PS vive na Lua. Passou-lhe tudo ao lado e resolve dar conta à Imprensa de um mal-estar que não existe entre os deputados socialistas.

Hipótese B – Um vice-presidente da bancada parlamentar do PS tem maus fígados e detesta tanto o Governo que até inventa acusações.

Hipótese C – O jornalista da Lusa fez confusão e julgou que estava a falar com um vice-presidente da bancada parlamentar do PS, quando estava a falar com um deputado do PSD.

Hipótese D – O Secretário de Estado Eduardo Cabrita inventou uma reunião que nunca existiu.

Claro que num País onde os valores éticos da Esquerda republicana e laica não estivessem tão enraizados, um episódio destes custava a cabeça de alguém – politicamente ou profissionalmente falando. Por cá, tudo indica que nada se vai passar. Nem o Governo nem a direcção da Lusa têm o menor interesse em esclarecer este assunto. De certeza absoluta.

E já agora, são estes os nomes dos vice-presidentes do Grupo Parlamentar do PS: Afonso Candal, Ana Catarina, António Galamba, Helena Terra, Jorge Strecht, José Junqueiro, Manuela Melo, Manuel Maria Carrilho, Marcos Perestrelo, Mota Andrade, Ricardo Rodrigues, Vitalino Canas. Para dar uma ajudinha a quem quiser descobrir a verdade.

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