O “Avô Cantigas” deixa o Governo – Freitas do Amaral alega razões de saúde

Charles de Gaulle dizia que “a velhice é um naufrágio”. Freitas do Amaral trouxe um novo significado a essa frase. Cada naufrágio deixa destroços e o ex-fundador do CDS teve um trajecto político, nos últimos anos, que mais parecia a nossa História Trágico-Marítima. Dele retenho, nessa época, aquela patética exibição, perante as câmaras de televisão, na ‘manif’ da extrema-esquerda anti-semita, diante de uma embaixada que julgo ter sido a americana: Freitas do Amaral de mãozinha dada com Francisco Louçã, numa espécie de ‘gifrolé-gifrolá’ com dezenas de adeptos da ganza e do djambé (vulgo militantes do Bloco de Esquerda), fizeram um cordão humano para protestar contra qualquer coisa que já nem recordo.

Lembro, sim, a expressão e o olhar daquele que viria a ser ministro dos Negócios Estrageiros de José Sócrates: um olhar a resvalar para o senil, um sorriso de criança encantada com uma brincadeira nova. Freitas do Amaral ficará na memória histórica nacional como um político medíocre, de pendor oportunista, que descobriu a Democracia de forma acidental e esteve longe de atingir a sua meta pessoal, a Presidência da República. Se o regime de Marcelo Caetano tivesse sobrevivido mais 15 anos, Freitas do Amaral teria chegado a ministro dos Negócios Estrangeiros. Demorou um pouco mais, mas chegou lá, com o regime saído do golpe de Estado feito no dia 25 de Abril. “A man for all seasons“, diriam os ingleses.

2 Responses to O “Avô Cantigas” deixa o Governo – Freitas do Amaral alega razões de saúde

  1. Ana diz:

    Eu tenho uma relativa simpatia para com o BE, mas nao fumo ganzas nem toco djambé…. Achas que ainda vou a tempo?

  2. Cara Ana: Julgo que sim. As ganzas e os djambés são muito frequentes, entre os apoiantes do Bloco de Esquerda, mas não são obrigatórios. O BE é o máximo denominador comum de todas as práticas desviantes da maioria. O essencial é se tenha pelo menos uma atitude discordante do bom-senso generalizado. P. exemplo, apoiar a adopção de crianças por parte de casais homossexuais. E aqui entre nós, eu também simpatizo com o BE. Fazem-me lembrar de mim próprio, quando tinha 16 anos. A diferença é que eu cresci, com o passar dos anos.

  3. Ana diz:

    Concordo, o BE tem certas falhas que precisam de ser limadas… Mas, cá entre nós, qual é o partido que não as tem em Portugal? Esquerda que não é esquerda, esquerda que é direita, esquerda que se diz de centro, mas que faz políticas de direita… Enfim, um rol interminável de confusões que me levam a ter a simpatia por quem até tem dos discursos menos incoerentes. Mesmo que seja para fazer propostas que ninguém aceita, e para tecer críticas atrás de críticas. São coerentes.

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