Pataratas chegam à China – Jornalistas à solta, asneira na certa

Velho amigo que, por razões profissionais, demanda o Oriente três ou quatro vezes por ano, mandou-me um email indignado com as idiotices pespegadas num jornal português de Macau (coisa que eu já sabia existirem, embora me garantissem que não, que eram miragem…) Numa demonstração de que o jornalismo que ali se pratica pede meças à incompetência e analfabetismo que grassa pelos profissionais do ramo,no rincão nacional, um dos plumitivos locais zurze na nossa pobre terrinha, dizendo que dela nada se espera, porque as remessas dos imigrantes constituem a segunda maior receita do Orçamento de Estado.

Ok, parem lá para respirar, que eu repito: como escreve um tal Carlos Morais José, num jornal de Macau, o dinheiro que o sr. Silva, transmontano de gema transplantado para a pérfida Albion, manda todos os meses para a mulher e catraios, não lhe chega ao bolso. Vai para os cofres dos Estado, na douta opinião daquele escriba. O Orçamento de Estado tem, como segunda maior receita, as remessas dos imigrantes. E coitadas das famílias, a telefonar para os ditos cujos, pedindo dinheiro que a mesa está vazia, a despensa por guarnecer e a fome ameaça. Mas esta gente é colocada no pedestal de comentador e enche páginas de jornais por alma de quem? Não era bom exigir-se que, no mínimo, tivessem a quarta classe?

É certo que Jesus Cristo nada sabia de Finanças e consta que nem tinha biblioteca. Talvez por isso, recomendou que aquilo que era de César, a César fosse dado. Ora aí está um bom exemplo para estes comentadores da treta. Deixem as coisas complicadas para os especialistas. Meias-solas, para os sapateiros, rabecão para quem tem unhas e ouvido para a música.

8 Responses to Pataratas chegam à China – Jornalistas à solta, asneira na certa

  1. Ó maravilhoso discurso patriota com Jesus, César e tudo! Mas não estará enganado? A economia do país não sai realmente reforçada com tais remessas?

    O maquineta zerone não compreende hipérboles nem perífrases.

  2. carlos diz:

    Caro MZ,

    Quem sabe, não fala. Quem não sabe, zurra alto.
    Antes de me chamar incompetente e patarata, informe-se.
    O que eu escrevi foi sobre as potencialidades das comunidades portuguesas (como mercado de muitos milhões, etc.), independentemente das respostas (inexistentes) de Lisboa. Não pedi nada ao petit pays, nem peço há muitos anos. Percebe?

  3. Carlos diz:

    Caro MZ,

    Como é lógico, refiro-me à entrada de dinheiro para os cofres portugueses, entrada de dinheiro no país e não a dinheiro do Orçamento de Estado. É preciso ter muita vontade de dizer mal para interpretar desse modo.
    O seu amigo que vem ao Oriente 3 a 4 vezes por ano precisava de aprender a soletrar, antes de se indignar. Talvez o vosso problema seja ler demasiado o Correio da Manhã e o 24 Horas, a noticiazinha rápida. Já que o Público e o DN são de esquerda…
    Se quiser confirmar as minhas afirmações pode fazê-lo através de uma simples pesquisa na net em “remessas de emigrantes”. Leia, aprenda, e depois insulte, se continuar a achar que tem razão.
    Entretanto, pode também aprender que as remessas dos emigrantes estrangeiros em Portugal para os seus respectivos países já ultrapassam os fundos que nos entram vindos da UE…

  4. Meu caro Carlos, você referiu-se ao facto de as remessas dos imigrantes serem a segunda receita mais alta do Orçamento de Estado. Está escrito. Impresso. Publicado. Para alterar esta realidade, tinha que recolher e destruir todas as cópias dessa edição do jornal onde você escreve.
    Você não soube distinguir entre Orçamento de Estado e Balança de Pagamentos. Reconheça que errou.

  5. Anónimo diz:

    Caro MZ,

    O que eu referi e está impresso e publicado, sobre as remessas dos emigrantes, é exactamente isto:

    “as remessas dos emigrantes continuam a constituir a segunda fonte de receitas do Estado português, depois dos fundos europeus.”

    Como pode constatar eu não falei em orçamento; falei em Estado em geral. Posso não ter sido extremamente rigoroso, mas isso, em textos de opinião, nunca me preocupou. O meu texto não era sobre isso.
    Provavelmente não estará nada interessado no assunto (o Conselho das Comunidades Portuguesas) mas ainda assim lho deixo na íntegra (não o deixe por aqui, deite-o fora à sua vontade:

    O que podemos fazer por nós

    Carlos Morais José

    O Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas está em rota de litígio com o governo de José Sócrates. Provavelmente, os emigrantes estão cheios de razão, mas esta não é de experiência feita. Isto porque se fosse já há muito que tinham aprendido a não contar com Portugal seja para o que for. A questão coloca-se aqui em forma de perguntas, das famosas perguntas feitas por JFK ao povo americano. O que pode fazer Portugal por nós? Nada. O que podemos fazer nós por Portugal? Pouco mais do que já fazemos, na medida em que as remessas dos emigrantes continuam a constituir a segunda fonte de receitas do Estado português, depois dos fundos europeus. O que podemos fazer por nós? Muito. E isso é também fazer por Portugal.
    A sensação que me dá o CCP é que os seus membros ainda não perceberam a potencialidade das pessoas que representam. Basta pensar que somos mais de cinco milhões para compreender de imediato as possibilidades que temos, por exemplo, em termos de mercado real. Somos cinco milhões de consumidores, com o valor acrescentado de estarmos espalhados pelo mundo. Não chegará para levar a cabo uma série urgente de iniciativas? Parece-me obviamente que sim.
    Mas isso não é claro para os membros do CCP. Quando leio os seus comunicados, é só queixinhas de Portugal. Com toda a razão, admito. Mas assim não se vai a lado nenhum. Nós devíamos ser os últimos a esperar algo de sadio do pequeno rectângulo, pois bem sabemos as razões que nos levaram a partir. Mas não. Continuamos, portuguesmente, a discutir a burocracia, o número de assentos no CCP e outros assuntos que muito pouco trarão de novo às nossas vidas. Porque não trabalhar no sentido de desenvolvermos iniciativas próprias, com pés e cabeça? O que andam a fazer as comissões do CCP? Ninguém realmente sabe. E se não sabe é porque não interessa.
    O CCP continua a viver à sombra de Portugal, continua sem perceber que tem nas suas mãos um potencial único e que para o desenvolver não precisa de Portugal para quase nada. Ao invés de representar uma lufada de ar fresco no país, o CCP parece mais bafiento que os Passos Perdidos de São Bento. Os portugueses que vivem no estrangeiro e de segunda geração têm em si mesmos demasiadas potencialidades para que isso possa ser aceite ou mesmo benquisto por Lisboa e arredores. O nosso caminho deve ser nosso, pautado por nós e depender cada vez menos do Terreiro do Paço. Esta emancipação urge e está no momento de a operar, sob pena de estarmos a repetir os mesmos trejeitos os que nos tornaram a vida impossível ou, simplesmente, sem interesse nenhum.
    Como representante dos portugueses na diáspora, o CCP tem também as suas obrigações, entre elas a de estar ao nível dos nomes que representa. Pensamos em Eduardo Lourenço, Luís Figo, Paula Rego, António Damásio, José Mourinho, mas também no Joaquim, no António, no Manel e na Maria que há tanto tempo tornam real e respeitável o nome de Portugal no mundo. Estas são pessoas que demonstraram coragem para mudar, para viver, para vencer. Para levar em frente os sonhos de uma vida sem lugar para desabrochar no país de origem. O CCP tem de demonstrar a mesma ousadia, a mesma coragem, o mesmo querer, a mesma capacidade de trabalho, o mesmo desapego. Só assim nos representará condignamente.

  6. Meu caro Carlos: está a ver? Nem custa nada! Você reconhece o seu erro. E se não sabe, eu explico-lhe: as únicas receitas do Estado português são as que constam no Orçamento de Estado. A cobrança de receitas e a realização de despesas, feitas pelo Estado português, através do seu órgão executivo, o Governo, têm que constar, obrigatoriamente, da chamada Lei do Orçamento, aprovada anualmente pela Assembelai da República.
    AS REMESSAS DOS IMIGRANTES NÃO CONSTITUEM QUALQUER RECEITA DO ESTADO, AO CONTRÁRIO DO QUE VOCÊ ESCREVEU.
    Fica-lhe bem, reconhecer o erro. Quanto ao assunto que refere, acho interes~sante. Mas como não gosto de me pronunciar sobre nada, antes de conhecer o assunto, voltarei a ele mais tarde.

  7. Carlos diz:

    Caro MZ,

    Você faz-me lembrar aquele meu professor de Física que não admitia referências a gramas ou quilos (mas sim, por exemplo, cem grama) porque as unidades de medida não têm plural.
    Está bem, a minha terminologia não está totalmente correcta do ponto de vista dos economistas, mas toda a gente percebe que me refiro à entrada de milhões de euros na nossa economia (também não se trata de Balanças de Pagamentos), que depois de investidos vão gerar milhões em termos de impostos para o Estado. Ou será que o facto de entrarem no país tantas divisas, normalmente usadas no consumo, não tem a mínima importância?
    Contudo, para mim, o que não tem a menor importância é a discussão. Acho que, lendo o meu artigo, já percebeu onde eu queria realmente chegar. Não quero defender a posição dos emigrantes em Portugal, mas a sua potencialidade como comunidade no exterior.
    Não sou “talentoso” (se sei escrever, é porque treinei muito – e mesmo assim tenho dúvidas), mas também não levo a bem que me chamem patarata ou incompetente.
    Obrigado pela sua paciência.

  8. Meu caro Carlos: Olhe que eu iria jurar que as remessas de imigrantes se enquadram no conceito de movimento de capitais que estão abrangidos pela Balança de Pagamentos… Pelo menos, é isso que o site do Ministério das Finanças diz:
    “A Balança de Pagamentos corresponde a um registo estatístico sistemático de todas as transacções efectuadas, num determinado período de tempo, entre residentes e não residentes de uma determinada economia. Inclui transacções de bens, serviços ou rendimentos, constituição ou anulação de disponibilidades e responsabilidades financeiras face ao exterior e, ainda, transferências sem contrapartida, de que são exemplo as remessas de emigrantes/imigrantes, as doações e o perdão de dívidas.”
    Se quiser confirmar, veja aqui: http://www.dgep.pt/cx230ajust_sazonal_series_estat_balpagam.html

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