Recado para Paulo João Santos, um jornalista com jeito para pé-de-microfone

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Meu caro Paulo João Santos:

Li a entrevista que você fez ao Sheik David Munir, publicada na revista do Correio da Manhã de Domingo, dia 24 de Setembro. Sinceramente, você parece-me ter mais jeito para pé-de-microfone do que para jornalista. Faz perguntas de circunstância e engole todas as patacoadas que o Sheik Munir lhe enfia pela garganta abaixo, sem contrapor praticamente nada. Eu acho que você prestou um mau trabalho ao seu jornal e aos leitores, limitando-se a dar “tempo de antena” e páginas de publicidade gratuita a um hábil manipulador da verdade, como é o Sheik Munir.

Se tivesse lido alguma coisa, antes da entrevista, poderia contrapor argumentos de peso a esse lobo com pele de cordeiro que é o líder espiritual de parte dos muçulmanos portugueses. Por exemplo, quando o seráfico Munir alega estar de acordo com a frase “Não se deve recorrer à violência para impôr a religião”, você poderia ter-lhe lembrado algumas passagens do Corão, nomeadamente a sura 2 (190-193) :

  • “Combatei, pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão, porque Deus não estima os agressores./ Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. /Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. /E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos.”

Ou a sura 9 (123):

  • Ó fiéis, combatei os vossos vizinhos incrédulos para que sintam severidade em vós; e sabei que Deus está com os tementes.”

Se você fosse mais jornalista e menos pé-de-microfone, poderia ter pesquisado alguma coisa na Internet, preparando-se para aquilo que é o discurso “chapa cinco” da religião da paz e do amor mas que defende a lapidação. A dada altura, o seráfico Sheik Munir avança com uma das suas aleivosias preferidas: “O Islão considera judeus e cristãos como irmãos”. Você poderia ter citado a sura 5(51):

  • “Ó fiéis, não tomeis por confidentes os judeus nem os cristãos; que sejam confidentes entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por confidentes, certamente será um deles; e Deus não encaminha os iníquos.”

Ou então a sura 4(47-48):

  • (“Ó adeptos do Livro, crede no que vos revelamos, coisa que bem corrobora o que tendes, antes que desfiguremos os rosto de alguns, ou que os amaldiçoemos, tal como amaldiçoamos os profanadores do sábado, para que a sentença de Deus seja executada!” /Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso, perdoa a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus cometerá um pecado ignominioso“)

Mas não. Você esqueceu-se da principal função do jornalista, que é ser advogado do Diabo e limitou-se a fazer papel de anjinho.

Mais. O Sheik Munir, numa esplêndida manifestação de taqiyya, choraminga, ecuménico: “Há que respeitar os outros. Se Deus não quis que todos tivessem uma só religião, quem sou eu para o querer?”. Você poderia ter questionado o bom do Sheik sobre o conteúdo do seu livro sagrado, o Corão, que ele tanto cita parcialmente, confiado na ignorância de jornalistas como você. O que o Sheik Munir diz não é compatível com a sura 9(29-30):

  • “Combatei aqueles que não crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya. /Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!”)

Nem com a sura 66(9):

  • “Ó Profeta, combate com denodo os incrédulos e os hipócritas, e sê inflexível para com eles, pois a morada deles será o inferno.”

E já agora, você poderia ter lembrado ao Sheik Munir que o Corão ordena aos muçulmanos que persigam da forma mais implacável os ateus e os animistas, como refere a sura 9(4-5):

  • “Cumpri o ajuste com os idólatras, com quem tenhais um tratado, e que não vos tenham atraiçoado e nem tenham secundado ninguém contra vós; cumpri o tratado até à sua expiração. Sabei que Deus estima os tementes. / Mas quanto os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.

Esta última sura, meu caro Paulo João Santos, é uma contradição absoluta com outro versículo, sempre na boca de gente como o Sheik Munir (“Não há compulsão na religião”). Excepto para os idólatras, ao que parece. Resumindo o meu recado: você, de facto, foi mais pé-de-microfone do que jornalista. Não referiu (por simples ignorância?) nada que pudesse contrariar as falaciosas afirmações do Sheik Munir. Enquanto a maioria dos jornalistas continuar a ser como você, meu caro Paulo João Santos, há gente que dormirá tranquila. Eu não. E julgo que muitos outros portugueses também não.

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* Nota: Perante a inexistência de uma versão completa em língua portuguesa aprovada pelas autoridades religiosas islâmicas de Portugal, as citações do Corão aqui referidas são retiradas do site do Centro Cultural Beneficiente Islâmico de Foz do Iguaçú, onde está disponível uma versão em Português, utilizada no Brasil.

10 Responses to Recado para Paulo João Santos, um jornalista com jeito para pé-de-microfone

  1. Grande postal este do MZ, ao seu melhor estilo. Bem haja.

  2. oh makina zero!, essa comunidade islamica em portugal e esse munir tem algum sitio na internet?

  3. Não exactamente. Há um site, a Comunidade Islâmica da Web (http://www.myciw.org) onde muitos elementos da comunidade muçulmana portuguesa participam em vários fóruns.

  4. Anónimo diz:

    Sr. MZ podemos copiar o seu texto e inseri-lo noutros sitios ?
    Obrigado,
    Um cidadão interessado nestes temas.

  5. Todos os textos deste blogue podem ser copiados, reproduzidos, citados, amaldiçoados, queimados, etc, etc. Disponham à vontade.

  6. Anónimo diz:

    Obrigado.
    a-3:17pm

  7. […] Porque a generosidade do Estado Social europeu permite que extremistas e fanáticos como este vivam à conta dos contribuintes e pratiquem a poligamia sem entraves. Porque qualquer medida destinda a colocar um ponto final a estes desmandos é considerada, pela Esquerda, como sendo xenofobia. Porque o Daniel Oliveira faz tudo o que pode para que os imigrantes “tomem conta das nossas cidades”. Porque jornalistas como o Paulo João Santos fazem entrevistas como esta. […]

  8. […] Ora aqui está um exemplo de como se encontra bom jornalismo fora do MSM (”mainstream media”). O Paulo João Santos tem umas coisas a aprender com este jornalista do Correio do Vouga, Jorge Pires Ferreira. Principalmente, como fazer uma entrevista sem estar distraído, agachado, de cócoras ou de joelhos. […]

  9. Vic diz:

    Tema interessante, este das crenças em conflito. Mas trata-se de um beco sem saída. Imaginem só o tempo que este conflito já fez perder no decurso de milénios… Não são as religiões que fomentam conflitos. As religiões são inventadas pelas culturas, cujas diferenças, por vezes difíceis (ou impossíveis) de superar, geram as tensões e os conflitos. Da mesma forma que ser-se branco, preto ou amarelo não é importante nem é, por si só, gerador de conflitos. O problema está na diferença de culturas. Ele existe, tende a aumentar com a globalização compulsiva e será, a seu tempo, causa primeira de todos os males.
    Uma boa ideia seria acabar de vez com essa coisa das religiões. Seria meio caminho andado. Mas não faço ideia sobre qual possa ser a segunda metade desse caminho. E a verdade é que não estou nada preocupado.

  10. A Consciência diz:

    Grande post! Arrasador no mínimo. Eu se fosse o “jornalista” entregava a carteira profissional e dedicava-me a algo para o qual tivesse mesmo jeito, como a submissão.

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