Sofocleto, um animal das cidades

O medo é o grande impulsionador das teorias da conspiração. É muito mais fácil combater George Bush que Bin Laden. O primeiro tem que se submeter ao Senado e ao Congresso norte-americanos, acatar decisões dos tribunais e, de certeza absoluta, não vai exercer um novo mandato presidencial nos EUA. Porque a Constituição americana o proíbe. Já Bin Laden não se sujeita a nenhum escrutínio, a nenhum poder. Os seus apaniguados cortam gargantas a sangue-frio, filmam e colocam esses vídeos na Internet.

Ao pretender que a Al-Qaeda não existe, per si, mas é uma simples criação dos serviços secretos americanos e israelitas, os conspiracionistas transferem o medo de um inimigo implacável e, aparentemente indestrutível, para um adversário caseiro e, mais importante que tudo, facilmente removível através de simples eleições. Esta tese da inexistência do terrorismo de inspiração islâmica é o máximo denominador comum dos conspiracionistas actuais, determinados em provar que Bush deitou abaixo as Torres Gémeas para culpar os muçulmanos.

Dentro deste enorme “saco de gatos”, cabem depois inúmeras variantes de método, forma e objectivo. As mais comuns têm a ver com a perfídia dos judeus, apostados em conquistar o mundo e com o ódio da Esquerda ao país que simboliza a destruição do Comunismo. Temos, assim, uma das mais estranhas alianças de sempre: fanáticos religiosos e militantes ateus, lado a lado, clamando pela destruição das mais sólidas, antigas e eficazes democracias ocidentais, os Estados Unidos e a Inglaterra.

A rejeição da verdadeira identidade do inimigo permite também que o bom conspiracionista recuse o conflito. Dá-lhe o mais sólido dos argumentos, o pilar da sua tese de não-combatente, a razão última para que procure o diálogo com o terrorismo (vide Mário Soares e a dúbia posição de Ana Gomes). E essa razão, assente na cobardia, procura o diálogo acima de tudo, a paz seja a que preço for, a negociação custe o que custar. Como bem dizia uma leitora deste blogue, em comentário colocado aqui, esta gente quer “democracia mesmo que de pernas bambas”.

A existência de vozes discordantes e o seu direito a expressarem-se é algo de essencial a qualquer Democracia. Por isso, temos gente como o Sofocleto, que se desdobra por vários blogues, com especial empenho no conspiracionista Um Homem das Cidades. Trata-se de um caso típico daquilo que designo por “eurofagia” – desiquilíbrio mental e emocional específico dos cidadãos europeus, que se caracteriza pela aversão profunda a todas as instituições e normas que lhe garantem os seus direitos fundamentais, lado a lado com um ódio paranóico contra os Estados Unidos, a quem consideram como a fonte de todo o Mal no mundo.

Normalmente, surgem associados a este tipo de desiquilíbrio mental outras manifestações comportamentais. Uma das mais comuns é uma incontrolável propensão para o insulto, sempre que se deparam com a mínima contrariedade ou discordância em relação às suas teses.

15 Responses to Sofocleto, um animal das cidades

  1. robertos diz:

    Sofocleto presta oidos a teorias de la conspiracion disparatas sobre el 11-S en Nueva York y no quiere ver las documentadas investigaciones de El Mundo, Libertad Digital(Luis del Pino) y City FM sobre los agujeros negros del 11-M en Madrid, único atentado presuntamente islamista sin terroristas suicidas……..

  2. Anónimo diz:

    Obrigado ao MZ.
    O que faz falta é avisar a malta.

  3. Joaquin (o meu avô era espanhol) diz:

    Meu caro MáquinaZero,

    O medo é o grande impulsionador das teorias da conspiração? Você faz esta afirmação com base concretamente em quê?

    Uma conspiração é um conluio entre vários indivíduos para atingirem determinado fim. E você há-de concordar comigo que em 11 de Setembro houve uma conspiração: um grupo de indivíduos planeou e levou a cabo a destruição das Twin Towers, assassinando cerca de três mil pessoas. Você lembra-se do episódio do Reichstag?

    Segundo o famoso historiador William Shirer e muitos outros, está estabelecido “para além de qualquer dúvida razoável” que em 27 de Fevereiro de 1933, uma equipa de comandos de Hitler infiltrou-se no edifício do Reichstag (o parlamento alemão) e utilizou combustíveis líquidos para provocar rapidamente um imenso incêndio. Antes de o incêndio estar apagado, Hitler declarou que aquele horror devia ter sido da responsabilidade dos comunistas. Segundo parece, o público alemão acreditou de forma geral que Hitler estava a dizer a verdade. O incêndio do Reichstag em 1933 criou condições para o desencadeamento da feroz campanha anti-semita e para as perseguições que levaram milhares de comunistas aos primeiros campos de concentração.

    Acontece que a administração americana tinha, também ela, projectos muito ambiciosos. Em Setembro de 2000, poucos meses antes do acesso de George W. Bush à Casa Branca, o “Project for a New American Century” (PNAC) publicou o seu projecto: “Reconstruindo as defesas da América” (“Rebuilding American Defenses”). O PNAC esboça um roteiro da conquista e apela à “imposição directa de bases avançadas americanas em toda a Ásia Central e no Médio Oriente”

    O projecto do PNAC também esboça uma estrutura consistente de propaganda de guerra. Um ano antes do 11 de Setembro, o PNAC fazia apelo a “algum evento catastrófico e catalisador, como um novo Pearl Harbor”, o qual serviria para galvanizar a opinião pública americana em apoio a uma agenda de guerra (“Rebuilding American Defenses” – pág 51).

    Sendo assim, meu caro MáquinaZero, será assim tão insensato supor que possa ter sido o próprio governo americano a levar a cabo os atentados do 11 de Setembro? Porque se atentarmos nos acontecimentos veremos que a «tese oficial» possui demasiadas falhas:

    a) Porque caiu o edifício nº 7 do WTC de 47 andares, sem que nenhum avião lá tivesse embatido?

    b) Porque é que não há nenhum vídeo onde se veja um avião de passageiros a embater no Pentágono (há apenas oito frames que nada mostram), quando é sabido que o Pentágono possui várias dezenas de câmaras exteriores?

    c) Porque é que no buraco do Pentágono não existem marcas do embate das asas ou da cauda do aparelho, tal como se vêem na Torres Gémeas?

    d) Porque é que a Força Aérea americana, que possui os melhores sistemas de radar do mundo, não interceptou nenhum destes aviões civis?

    E porque é que não podemos discutir isto civilizadamente?

  4. Podemos discutir isto civilizadamente. Aliás, podemos discutir tudo, civilizadamente. Mas para isso, há duas condições prévias: é que ambos estejamos dispostos a discutir determinado tema e a fazê-lo civilizadamente.
    No caso concreto, agardeço o seu convite, mas não estou na disposição de discutir teorias da conspiração sobre o 11 de Setembro de 2001. E não o faço pela mesma razão por que não discuto a existência de Deus. Convicções não se discutem. São imunes a qualquer raciocínio e não dependem de factos. É o que eu penso que acontece com os defensores das teorias da conspiração “Bush/CIA/Mossad”. Obrigado pelo convite, mas uma das prerrogativas da Democracia também é poder recusar um debate.

  5. Já agora, meu caro, porque é que coloca dois posts iguais, assinados com nomes diferentes e provenientes do mesmo IP?

    “Novo comentário na sua entrada #630 “Sofocleto, um animal das cidades”
    Autor : Joaquin (o meu avô era espanhol) (IP: 89.152.26.251 ,
    89.152.26.251)
    E-mail :
    URL :
    Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=89.152.26.251
    Comentário:
    Meu caro MáquinaZero,(…)
    E porque é que não podemos discutir isto civilizadamente?
    Comentário por Joaquin (o meu avô era espanhol) — Setembro 27, 2006 @ 11:09 pm | Editar este Item”

  6. robertos diz:

    Nadie habla del hundimiento del Maine…….

  7. Joaquin diz:

    A existência de Deus e o 11 de Setembro são assuntos completamente distintos. O primeiro está dependente de convicções e de crenças. O segundo é um caso de polícia e, portanto, assenta exclusivamente em factos. É impossível colocá-los no mesmo plano.

    Evidentemente que você pode recusar o debate. Mas porque o faz? Por fé, por falta de argumentos, ou por medo do que possa vir a descobrir?

  8. Joaquin? Ou Manel? É que você deixou dois comentários iguais, com nomes diferentes…Rejeito o debate porque convicções não se discutem. Vocês, conspiracionistas, estão convictos de que todo o Mal do mundo tem origem nos judeus, apoiados por Bush e tentam ajustar a realidade a isso. Lamento, mas não vos posso ajudar.

  9. Joaquin diz:

    Não estão em causa convicções. Estão em causa factos: as torres caíram, morreram três mil pessoas e alguém as mandou abaixo. É tão simples como isto.

  10. Até aí, estamos de acordo. A partir daí, nunca estaremos de acordo. Eu também não discuto om as Testemunhas de Jeová, quando sou abordado por elas, na rua. Em casa, nunca lhes abro a porta…

  11. Rouxinol diz:

    Pronto, já descobrimos quem é que não quere discutir…

    “Vocês, conspiracionistas, estão convictos de que todo o Mal do mundo tem origem nos judeus”

    É favor não confundir “conspiracionistas” ( nem me importo que me chamem isso, desde que os factos estejam do meu lado ) com nazis. Isso é uma tentativa baixa de fugir à discussão.

  12. Qual é a diferença? Vocês não usam câmaras de gás?

  13. Lidador diz:

    Há tempos tive uma interessantíssima discussão com o Sofocleto e, depois de rebater um por um todos os seus “argumentos”, o Sofocleto, em vez de contestar os meus argumentos, voltava indefinidamente, a repetir aqueles que eu já tinha desmontado.

    É uma obsessão…não vai lá com argumentos racionais.
    Acabei por fazer alguma teoria à conta da coisa…
    http://o-lidador.blogspot.com/search/label/Conspira%C3%A7%C3%A3o

  14. Anónimo diz:

    eu nem sei se e mais facil combater o senhor prezidente dos estados unidos ou binladen,mas eu tenho a certeza que ele o bimladem e um granda filho da puta.

  15. meco diz:

    Amigos, ando a fazer uma colecta para contratar o Bin Laden (onde é que andará o animal?), para fazer um atentadozito contra a AR. Se se deixarem de conspirações e mandarem a notita (vulgo carcanhol, arame, etc.) para a seguinte conta:

    NIB: 666999666

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