Jovens cordeiros, ferozes polícias

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Muito se escreveu, nesta última semana, sobre os “jovens” baleados pela GNR, no decurso de acções de combate ao crime. A Esquerda, como é seu torpe hábito, fez tudo o que pode para apresentar os “jovens” como cordeirinhos inocentes imolados pela brutalidade policial. A Imprensa politicamente correcta salienta dúvidas, alegadas falhas, contradições, juntando a isso descrições lacrimejantes da saída dos animais do tribunal: “Fábio deita as mãos à cabeça (…) Ostenta as marcas das agressões. Diz estar arrasado (…)”, escreve Nuno Amaral, no Público de dia 4 de Outubro de 2006. Coitadinho! Adiante. “Bruno está nervoso (…) É abraçado pelos irmãos, pelos primos, pelos amigos. Está cansado (…)”, escreve a jornalista Tânia Laranjo, também no Público, no dia 5 de Outubro de 2006. Mudam os jornalistas, a tónica é a mesma.

Lendo estas descrições, quase se fica com a ideia de que os criminosos são “jovens” indefesos, ligeiramente traquinas, algo refilões, talvez, com um pouco de pelo na venta, sim, mas coitadinhos, criminosos já com longo e pesado cadastro, isso não. Toda a adjectivação é repassada de emotividade, de quase solidariedade com o drama que estes “jovens” viveram, às mãos dos energúmenos da polícia. Uma espécie de síndrome de Estocolmo, afectando jornalista e sujeito de notícia. “Em redor, dezenas de vizinhos e amigos do Bairro da Giesta, em Valbom, acompanhavam a descrição. Abraçaram-no, choraram com ele. Reforçaram-lhe a voz na ira contra a GNR (..)”, acrescenta Nuno Amaral, Público, 4.10.06. “(…) a mãe de Vitor Hugo segura uma fotografia do filho. Recebe as condolências e garante avançar para os tribunais. ‘Eles mataram o meu filho à queima-roupa. São uns criminosos”, idem.

O mesmo deve ter pensado Almeida Vieira, magistrado do DIAP, que passou o mandato de detenção para o soldado da GNR, acusando-o de homicídio consumado com dolo eventual e homicídio tentado na mesma forma, como descrevem Tânia Laranjo e Nuno Amaral (grande dupla!) no Público de 4.10.06. Já Artur Guimarães, juiz do tribunal de Instrução Criminal do Porto, teve outra percepção da realidade e considerou inexistentes indícios da prática dos dois crimes referidos, assinlando que os disparos ocorreram “no exercício de funções”.

Para além destas fantásticas e tocantes reportagens, onde o criminoso é estrela, é vítima, é lágrimas, é baba e ranho, é mães desfeitas em pranto, tento recordar-me de algo idêntico, com o mesmo descontrole emocional, a mesma exibição trágica de pormenores, de amigos chocados, de mães desfeitas pela dor, quando da morte de polícias, assassinados por “jovens” como estes, em circunstâncias iguais. Não me lembro. Aquilo de me recordo, por leitura recentes, é do número crescente de polícias agredidos, feridos e mortos – um fenómeno sem explicação, aparentemente. Mas fácil de entender, para quem tenha bom-senso e não seja de Esquerda. O clamor que se ergue sempre que um polícia cumpre as suas funções, disparando contra criminosos, antes que eles matem alguém, é um factor de dissuasão na utilização das armas.

E esta bandidagem sabe isso perfeitamente. Sabe que pode atirar pedras, paus, garrafas, até cocktails molotov, que de lá não vem bala. Nem nada que rebente osso ou fure músculo. Quando muito, uma bala de borracha, mas atirada a medo, a bater no chão, para intimidar, ou uns chumbinhos de caçadeira que nem umas jeans grossas furam (Em França, deram aos polícias um brinquedo de crianças que dispara bolas de ténis…) Cada vez mais polícias são agredidos e mortos, em Portugal. Vistas as coisas ano a ano, com os truques do Relatório de Segurança Interna a ajudar a disfarçar o mais chocante, só nos surgem percentagens mínimas, acréscimos insignificantes. Mas no ano de 2000, todos os dias eram agredidos, em média, 3 polícias. Em 2005, apenas cinco anos depois, já eram agredidos diariamente 5 polícias. Quase o dobro. Isto, sim, preocupa-me. Muito mais do que a choraminguice do lúmpen proletariado à porta dos tribunais.

6 Responses to Jovens cordeiros, ferozes polícias

  1. Jaï bettancourt de carvalho (ex-Paulo) diz:

    “””lúmpen proletariado”””

    Essa expressão é muito importante !

    Ela resume perfeitamente bem até onde chegou uma certa esquerda, que acabou de defender os proletarios a favor du lumpen !

    Uma certa esquerda, sem a minima noção de marxismo o mais elementar !

    O meu avou, que era communista sempre nos ensinou, que è no povo de base que se encontram os pior fachistas.

    Pois foi assim que o Hitler chegou ao poder, os SS e a Gestapo erram todos do lumpen !

    O que é o LUMPEM-PROLETARIADO ?

    Lumpen = trapos, palavra alemã e expressão inventada por Carl Marx, designa um proletariato sem espirito de classes, vivendo de commercios ilicites, saqueos, assaltos. São igualmente os quebredores de greves nos EUA, vendendo-se ao mais ofredor !

    O que se passa em França, alem do islamisme, é a intrumentalização do LUMPEN por a estrema esquerda trotskista e a sua conspiração revoluçionaria tentando acabar com a Républiqua.

  2. Caturo diz:

    A Esquerda quer ir mais abaixo. Não lhe basta o proletariado, agora quer realmente o lúmpen, sobretudo o lúmpen de origem estrangeira.

    A Esquerda busca sempre o mínimo denominador comum e, acima de tudo, uma massa populacional com a qual possa deitar por terra o sistema instituído. Daí a sua simpatia por tudo quanto seja marginal. É esse o verdadeiro sentido do seu apoio aos «desfavorecidos». Não se trata de caridade ou compaixão, mas sim de tentativa de mobilização das forças potencialmente caóticas.

  3. Eu diria antes que a Esquerda procura sempre o “mínimo detonador comum”…

  4. ISto está assim, mas vai ficar pior. Só um golpe de estado, uma guerra ou a emergência de um génio poderia traçar outro destino em relação ao crime que não aquele que temos presenciado. Estes GNRs matam porque amam o país mais do que ninguém. É tanta a hipocrisia que ninguém se atreve a admitir que a escumalha deve ser limpa. Se todos os dias aqueles homens das forças autoridade limpassem o sebo aos criminosos à velocidade de umas dezenas por dia, talvez houvesse maior pressão para mudar a constituição.

    Tks

  5. No mínimo, prisão preventiva e cinco anos de cadeia a agressores de polícias devia ser suficente para reduzir o fenómeno.

  6. […] Esperei até hoje, antes de comentar este episódio. Um agente da GNR foi baleado, depois de um suspeito ter resistido á abordagem dos agentes da autoridade. O inicidente foi notícia discreta. Não houve reportagens de página inteira, nem foi entrevistada a família do soldado da GNR, como fez o jornal Público, aqui. Não houve descrições emotivas (”xxx disparou. Para a cabeça do xxxx…”), como fez o jornal Diário de Notícias, aqui. O Bloco de Esquerda não emitiu nenhum comunicado nem pediu a presença de qualquer ministro no Parlamento, para explicar fosse o que fosse, como fez quando aconteceu isto. E o digníssimo Inspector-Geral da Administração Intern, o juiz-desembargador Clemente Lima, não tugiu nem mugiu, ao contrário do que fez aqui. É esta a diferença entre um bandido ser atingido a tiro, quando foge à polícia, e um agente da autoridade ser alvejado, quando nos defende a todos nós. Embora alguns não o mereçam. […]

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