A institucionalização de um novo “apartheid” em Portugal

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Já aqui me referi a uma senhora chamada Faranaz Keshavjee, a quem o Público concede, regularmente, uma página para lambuzar, a título de “membro da comunidade ismaelita”. Que me recorde, é a única cronista que aparece no panfleto de Esquerda que melhor se disfarça de jornal com tão simplório qualificativo. Não sabemos se a comunidade ismaelita se sente representada por este ilustre (?) membro. Mas a avaliar pela sensatez já manifestada, publicamente, por alguns dos seus dirigentes, somos levados a crer que não.

Numa das suas anteriores crónicas, Faranaz Keshavjee desenvolveu uma interessante tese sobre o terrorismo islâmico, onde aponta o dedo ao racismo dos europeus para com os imigrantes, admitindo que essa poderá ser a razão fundamental para que jovens muçulmanos matem centenas de pessoas, como fizeram em Londres e Madrid. Não contente com isso, Faranaz Keshavjee volta à carga, propondo a adopção de quotas mínimas de políticos e jornalistas “muçulmanos, pretos e chineses”.

Faranaz lamenta-se por só encontrar “diversidade (..) cultural, racial e humana” nos transportes públicos ou quando contratamos empregadas domésticas. “Entre os ricos, poderosos e sábios, eles nunca aparecem”, escreve no Público de 18 de Outubro de 2006. Faranaz acha “fundamental” que gente de outras raças e culturas que não o habitual “branco, de cultura católica e europeu” apareça na política, no jornalismo, nas telenovelas, nos debates semanais. Um àparte para explicar a pouca perspicácia de Faranaz, nesta sua análise estatística: cerca de 63 por cento dos imigrantes concentram-se em Lisboa e Setúbal e o número sobe para 77 por cento, se incluirmos o Algarve. Por isso, Faranaz Keshavjee pensa que por este País fora, em Braga, Castelo Branco, Évora, Ponta Delgada se vê o que ela vê, aqui em Lisboa. São as chamadas vistas curtas…

“Não podemos entrevistar, respectivamente, muçulmanos, pretos ou chineses só quando a Al-Qaeda actua algures, ou a GNR intervém na Cova da Moura, ou quando se fecham restaurantes por falta de higiene”, escreve Faranaz Keshavjee, demonstrando que nunca observou, sequer, uma intervenção policial na Cova da Moura, na televisão. Ou que não sabe distinguir a GNR da PSP, o que é, no mínimo, estranho.

Faranaz Keshavjee defende com unhas, dentes e demagogia racista a necessidade de jornalistas muçulmanos, pretos e chineses (asserção minha, reconheço, mas porque ela mesma refere apenas estas minorias, no seu artigo…). Citando a composição das redacções da SkyNews e da BBC, Faranaz lembra a sua diversidade racial e afirma que esses elementos das minorias étnicas “produzem mais trabalhos sobre as culturas e etnias da sua sociedade, sendo estes conduzidos, não necessariamente pelo jornalista/repórter comum, leia-se branco, de cultura católica e europeu, mas pelos próprios membros desse grupo”.

Brilhante. Faranaz Keshavjee quer introduzir o conceito de “apartheid” no jornalismo: és branco e católico, não fazes notícias nem reportagens sobre negros ou muçulmanos. Faranaz não nos esclarece se defende também a outra face da moeda: se fores jornalista negro ou muçulmano, não fazes notícias sobre brancos e católicos… Franaz também não nos explica, do alto da sua superior condição de membro da comunidade ismaelita, qual a proporção de elementos das minorias étnicas que deve ser imposta às redacções dos jornais, rádios e televisões.

Quanto jornalistas de origem indo-paquistanesa, como ela própria? Quantos jornalistas “pretos”, como ela diz? E quantos jornalistas chineses? Mais”pretos” e menos indianos, mas mais destas duas raças do que chineses? E jornalistas ciganos? E jornalistas ucranianos e brasileiros? Esses não contam, nas contas do “apartheid” noticioso que Faranaz Keshavjee quer introduzir em Portugal? Que fórmula seria satisfatória, para este membro de uma minoria escassíssima em Portugal, na redacção da Lusa, por exemplo, que tem quase 200 jornalistas?

Haverá cerca de 40 mil muçulmanos (*) em Portugal, e mais de 70 mil indianos. Isamelitas, como Faranaz Keshavjee, serão à roda dos 8 mil. Tendo Portugal, em 2005, 10.569.000 habitantes, os muçulmanos representam 0,37 por cento da população. Seria justo que, na redacção da Agência Lusa, tivessem uma proporção idêntica de jornalistas. Ou seja, a Lusa deveria ter 0,74 POR CENTO DE UM JORNALISTA MUÇULMANO, para que esta minoria estivesse ali correctamente representada, segundo a fórmula do “apartheid” noticioso defendida por Faranaz Keshavjee. Não dava sequer para um jornalista inteiro. Felizmente, já não falta muito para o Natal. Vem aí o circo e haverá outros palhaços, com mais piada.

(*) Números não oficiais. Portugal não tem estatísticas racializadas ou decompostas em termos étnicos e religiosos.

P.S. – Leitor amigo avisou-me de que um blogue qualquer afirma que o Máquina Zero é o Paulo Portas. Atenta a fabulosa qualidade dos seus editoriais e artigos de opinião, no falecido O Independente, a comparação só me honra. E, pesem embora algumas discordâncias entre nós, há também terreno comum. Ambos temos, por exemplo, uma enorme alergia à exclusividade de que a Esquerda se arroga, em matéria de certificação moral de princípios.

10 Responses to A institucionalização de um novo “apartheid” em Portugal

  1. Caturo diz:

    Haverá cerca de 40 mil muçulmanos (*) em Portugal, e mais de 70 mil indianos. Isamelitas, como Faranaz Keshavjee, serão à roda dos 8 mil. Tendo Portugal, em 2005, 10.569.000 habitantes, os muçulmanos representam 0,37 por cento da população. Seria justo que, na redacção da Agência Lusa, tivessem uma proporção idêntica de jornalistas. Ou seja, a Lusa deveria ter 0,74 POR CENTO DE UM JORNALISTA MUÇULMANO, para que esta minoria estivesse ali correctamente representada, segundo a fórmula do “apartheid” noticioso defendida por Faranaz Keshavjee. Não dava sequer para um jornalista inteiro.

    E depois? Há assim tantos jornalistas inteiros por aí?…

  2. Jaï bettancourt de carvalho diz:

    A finalidade dessa propaganda è de por en causa a identidade portuguesas, a nossa cultura, tradições e a nossa historia !

    Isso não tem absolutamente nada a ver com qualquer abertura que seja a nivel racial !

    Caturo diz, que hà somente 0,37 % de muçulmanos em Portugal, e jà querem uma representação ao nivèl de 30%, o que serà quando eles forem 10 % ?

    Sò para dar uma idéia !

    http://www.france-echos.com/actualite.php?cle=10755

    Entendo que pessoas lutem contra o racismo, mas a minha experiença em França, è que hoje em dia essas organisações militam exclusivamente para a intergração dos françeses no seu novo paìs onde se està destruindo toda a sua indentidade !

    Mas isso não ficarà assim, a balkanisação da frança è jà uma realidade fatal para o futuro !!!!

  3. Prof. Karamba diz:

    A autora que refere não é apenas membro da liberal e próspera (se bem que pequena) comunidade ismaelita. É socióloga/antropóloga e doutorada, docente e colaboradora de vários media há já muitos anos. Há no Público outra portuguesa de ascendência indiana, também docente, escritora e jornalista, a residir em Barcelona. Escreve aos sábados no XIS e chama-se Fayza Hayat. Já que falou na Lusa, ela foi em tempos presidida por Suleiman Valy Mamede. Todos eles fazem o que fazem e chegaram aonde chegaram pelo seu talento, apesar de pertencerem a uma comunidade tão pequena. Se forem precisas quotas para admitir quem quer que seja, não me parece que esta gente precise delas. Assim, só posso crer que ela se esteja a referir aos “ucranianos e brasileiros”, num acto de generosidade tipicamente Gandhiana, o que só lhe fica bem.

  4. Miguel Ângelo F. M. Valério diz:

    Esta matemática…

    Já nem se destinguem valores percentuais de valores reais…

    Um abraço,

  5. Desculpe lá, cometi algum erro nas minhas contas?

  6. Caturo diz:

    Vestígios do choque de civilizações que é «culpa dos Ocidentais»:

    http://www.jihadwatch.org/dhimmiwatch/archives/013880.php

    Pois…

  7. […] A institucionalização de um novo “apartheid” em Portugal […]

  8. o leitor assíduo diz:

    ó MZ…de certo viu o que YiossufAdamgy escreveu no forum da comunidade islamica, mas de qualquer forma aqui fica uma das ridículas afirmações dessa “gentalha”….não digo ingenua pq sabem bem o que dizem…dps tentam é camuflar-se…cá vai:
    “O papa acabou de envolver a Igreja que representa na “guerra de civilizações” que a extrema-direita ocidental nos tenta impor. Deu-lhe o cunho religioso que lhe faltava. E deu aos extremistas islâmicos um novo inimigo, que até agora ficara quase sempre de fora dos seus discursos mais irados: o Cristianismo.
    Não haja dúvida que foi uma irresponsabilidade grave. O Papa anterior tinha consolidado a pacificação das relações entre religiões. Este Papa, bem mais eurocêntrico, parece estar apostado em deitar tudo por terra.”

  9. Jaï bettancourt de carvalho diz:

    Amanhã em Portugal !

    http://www.freeworldacademy.com/chronique.htm

  10. […] do Expresso de 30 de Dezembro de 2006, olhei para o mosaico de fotografias e pensei no que diria a colunista do jornal Público, Faranaz Keshavjee, perante aquela profusão de rostos brancos. Qualquer coisa como isto: só se encontra […]

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