As técnicas pós-nazis do Daniel de Oliveira

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Depois da invasão da Polónia, durante a II Guerra Mundial, as autoridades alemãs mandaram retirar as pedras da calçada, nas entradas principais do gueto de Varsóvia. Com a chuva, essas zonas transformaram-se em autênticos lamaçais. Os judeus enterravam-se até aos joelhos, chafurdando na lama, usando as mãos para se conseguirem mover. Oficias alemãs e respectivas esposas costumavam deslocar-se até essas zonas, por puro divertimento, nos seus carros. Tiravam fotografias, riam-se, diziam piadas e, quando olhavam para as mulheres e crianças enterradas na lama, com os rostos contorcidos de esforço e frio e as vestes sujas, desapareciam todas as dúvidas que ainda pudessem ter: os judeus eram, de facto, uns animais, uns autêntios porcos, “untermenschen”…

Daniel Oliveira faz algo de idêntico. Num longo arrazoado, fala da sua deslocação a Israel e à Palestina, e apaga o povo judeu do retrato que traça – com excepção de dois apaniguados seus, de Esquerda, cujo discurso se caracteriza por odiarem o Estado sionista e o seu próprio Governo. Os palestinianisnos são um povo puro, martirizado, mas sempre com esperança, com fé, lutador, entusiasta e até democrata, disposto a viver em paz com os seus vizinhos e impedido disso por eles. Os judeus são um povo sinistro, sádico por natureza, que tem um especial prazer em fazer mal aos palestinianos, torturar as suas crianças, matar as suas mulheres, destruir as suas colheitas. Não há quem queira paz, entre os sete milhões de judeus que vivem em Israel.

Os olhos de Daniel Oliveira mais parecem os olhos da serpente que despertou na Europa, na década de 3o do século passado. Olham e não vêm seres humanos, de um lado e de outro, envolvidos num conflito com milhares de anos de História, influenciado por razões políticas e geoestratégicas. Os olhos de Daniel Oliveira vêm animais, monstros sem coração, assassinos sem dó, carrascos que se banham no sangue das suas vítimas, do lado de Israel. Não há, ali, um povo. Há, como bem frisava a propaganda nazi, um grupo de sub-humanos. O que viu Daniel Oliveira, nesta viagem?

Começa por confessar que viu pouco: “Não tive muito tempo de rua, porque a visita foi dominada por reuniões e encontros com activistas. (…) Um privilégio começar assim, em conversas com activistas pela paz dos dois lados. Mas terei de voltar brevemente para me perder nas ruas e para ouvir as pessoas comuns.”

A perfídia desses seres sub-humanos que são os judeus é bem caracterizada pelo facto de construírem muros e vedações apenas para separar as cidades palestinianas das suas zonas agrícolas. Não lhes interessa questões de defesa ou segurança, mas sim fazer mal aos palestinianos – mais uma prova de que os judeus não são, de facto, humanos: “Na Cisjordânia raramente os muros separam território israelita de território palestiniano. Separam território palestiniano de território palestiniano. Separam as cidades das suas zonas agrícolas e industriais. Separam cidades de cidades. Cortam ligações de estrada. São um labirinto que obriga a demorar duas horas para fazer uma viagem que durava dez minutos. E chegam mesmo a separar dois lados da mesma avenida, deixando trabalho de um lado e casa do outro. Berlim.”

Os judeus têm, aliás, um especial prazer em colocar soldados de 18, 19 anos a humilhar velhos palestinianos, nos postos de controle. Presumo que vão ao ponto de recrutar esses jovens, propositadamente, para o exército, em vez de ir bucar, como é normal, anciãos de 60, 70 anos: “A Cisjordânia é um labirinto onde a vida é transformada num Inferno, de forma metódica e sádica. Pirralhos de 18 e 19 anos, que servem o exército israelita, humilham velhos e homens feitos. E eles aguentam.”

O terível muro, que Daniel Oliveira compara a Berlin, mostrando ignorância, má-fé e uma distorção da realidade típica dos comunistas, só serve para transformar a vida dos palestinianos num horror. Não há, em todo o texto deste anti-semita primário, uma única referência à onda de atentados bombistas contra civis, às centenas de mortos israelitas em autocarros desfeitos pelos bombistas suicidas que vinham da Cisjordânica, antes de lá haver um muro. Mas isso é normal, nos relatos de Daniel Oliveira. As mortes, entre os israelitas, não contam. Os palestinianos não matam crianças nem mulheres. O sangue das crianças israelitas não é tão espesso como o das crianças palestinianas. Eis o muro, no seu esplendor: “Para além de separarem as terras das casas, os muros impedem a entrada de maquinaria, fertilizantes e de trabalhadores, assim como o escoamento de produtos.”

Novamente, a litania da violência de funil, onde só um lado é vítima:“Na mesa, oito ou nove activistas. Estiveram todos presos em Israel. Quatro, cinco, seis, dez anos. Muitos foram torturados. Mais de setecentos mil palestinianos passaram, nos últimos quarenta anos, por prisões israelitas. Não há um palestiniano que não tenha tido alguém preso na família.” Também não deverá haver um israelita que não tenha tido um familiar esventrado num ataque bombista contra autocarros, restaurantes, bares e ruas comerciais. Mas isso, para o Daniel Oliveira, não tem significado. Essa realidade, não existe. Afinal, ele foi à Palestina para se preocupar com os seres humanos que lá habitam. Não com os judeus.

De passagem, Daniel Oliveira aproveita para ridicularizar os números fornecidos por Israel, em matéria de danos causados pelos roquetes do Hezbollah. Trata-se de um princípio fundamental, neste tipo de activismo político: nunca aceitar que povos diabólicos, como os judeus (e os americanos…), possam alguma vez dizer a verdade:“Já agora, vale a pena ir ver os números oficiais de Israel e tentar não rir. De 3.970 roquets, apenas 880 terão caído em zonas urbanas. No entanto, Israel diz que foram destruídas 12 mil habitações. Ou os roquets do Hezbollah são iguais à bala que matou Kennedy ou as armas do Partido de Deus têm poderes sobrenaturais. Nos números oficiais, Israel conseguiu ter mais “vitimas” do que os libaneses. Porquê? Porque Israel costuma contar com os que ficam com marcas psicológicas. O que, naquela religião, só se pode tratar de humor negro.”

Finalmente, Daniel Oliveira encontra um judeu. Mais exactamente, uma judia. E ouve o que ela tem para dizer, a propósito do problema da identidade dos árabes israelitas, pessoas que festejam, dançando e cantando, sempre que um atentado bombista contra civis é noticiado na televisão: “Não acho que essa questão da identidade faça sentido. Eu sou israelita judia e sinto-me exilada no meu próprio país. Não gosto do que este país faz. Nasci aqui, sou daqui, gosto de aqui viver, mas não suporto o que este Estado faz. Não sinto essa identidade de que fala.”

O segundo judeu que Daniel Oliveira encontra é, também uma feminista e activista de Esquerda. Esta “dois em um”, justifica até o facto de apoiar a repressão das mulheres muçulmanas:“Uma ucraniana israelita, activista de esquerda, conta-me a sua história. Na Ucrânia, depois do fim do comunismo, era líder da juventude sionista. Tratava-se, diz, de defender uma minoria sempre perseguida no seu país. Foi viver para Israel e deixou de ser sionista. ‘Aqui luto pelos direitos de outra minoria, os palestinianos. Faço o que gostaria que os ucranianos tivessem feito por mim’. É feminista e eu pergunto-lhe como lida com a ausência de direitos das mulheres entre os muçulmanos. ‘Trabalho com feministas muçulmanas, é isso que faço e é isso que devo fazer. Os direitos das mulheres não devem ser impostos de fora. Devo trabalhar com as mulheres muçulmanas que lutam pelos seus direitos, assim como eu luto pelos meus.”

Claro que convém salientar, de quando em quando, o carácter não-humanos dos israelitas, a sua perfídia, sua maldade intrínseca e imutável, o seu objectivo último, que é o de exterminar o povo palestiniano:“A questão do reconhecimento de Israel pelo Hamas é obviamente uma rábula sem sentido. Todos sabem que não mudaria nada. Israel está-se absolutamente nas tintas para se é reconhecido ou não. E, já agora, também nunca reconheceu uma Palestina independente. Não passa de retórica. Israel quer apenas que os palestinianos desistam, fujam ou se matem uns aos outros.”

Daniel Oliveira termina com uma frase interessante: “A descrição do ambiente que se vive em Gaza é difícil de se fazer. Só me vem uma imagem à cabeça: Varsóvia, 1940.” Daniel Oliveira parece-me ser demasiado jovem para ter estado em Varsóvia, quando as tropas do general Jürgen Stroop começaram a arrebanhar os judeus e a enviá-los para os campos de concentração. Mas calculo que lado da barricada ele escolheria, caso lá tivesse estado…

9 Responses to As técnicas pós-nazis do Daniel de Oliveira

  1. Al-Pensativo diz:

    «Os olhos de Maquinazero vêm animais, monstros sem coração, assassinos sem dó, carrascos que se banham no sangue das suas vítimas, do lado dos muçulmanos. Não há, ali, um povo. Há, como bem frisava a propaganda nazi, um grupo de sub-humanos.

    Um beijo

  2. Estou deveras impressionado, aliás estou emudecido ao ler estas palavras do Al-Pensativo, ainda para mais quando são próprias de um islâmico, de alguém que olvida fazer essa apologia da vitimização quando seres humanos são degolados pelos seus carrascos islâmicos.

    Tenha vergonha, e vá pregar a falsidade e a hipócrisia para outra freguesia.

  3. tmp diz:

    É o que faz receberem ordens do de baixo cinco vezes por dia.

  4. Rouxinol diz:

    “envolvidos num conflito com milhares de anos de História”

    Que tristeza, o coitado nem sabe que antes das colonizações, coabitavam pacificamente, judeus e muçulmanos, na Palestina.

    “Mas calculo que lado da barricada ele escolheria”
    Quem era a esquerda e a direita e de que lado estavam??
    De que lado estavam os muçulmanos?? de que lado estava o Vaticano??

  5. Hummm. Pois. É tudo relativo, não é, meu caro Rouxinol?

  6. […] As técnicas pós-nazis do Daniel de Oliveira […]

  7. […] Apresento-vos o blog Máquina Zero, mantido por alguém que tem medo de dar a cara. Começando pelo titulo, é notória a alusão ao penteado “cabeça rapada”, ou “skin head”. O conteúdo é claramente extremista, e imagine-se, de direita. Estão a juntar as peças do puzzle? Há mais… Também existe uma rubrica, que distingue as personalidades de ascendência africana, mas, sempre no sentido de, terem feito mal, ou denegrido a imagem dos caucasianos. A favor das causas militaristas de Israel, como se pode observar aqui, este individuo refere-se a racismo quando os brancos e (ou) hebreus são postos em causa, mas, quando escreve diariamente aquelas barbaridades anti-tudo-o-que-não-seja-branco-e-hebreu, tem o descaramento de dizer que são apenas factos. O mesmo lançou-me um desafio banhado de ignorância: “E mostra lá uma frase racista que eu tenha escrito…” […]

  8. joana antunes diz:

    Mas expliquem me lá uma coisa que eu ainda não entendi:todos sabemos dos ataques terroristas que os arabes fazem mas..vendo a historia eles não tem razão?alguém admite que os judeus(grosso modo)poderao ter razao?os arabes começaram a opor se a instalação dos judeus na palestina quando começaram a ver as proporções que aquilo estava a tomar.e quem vendia as terras aos judeus eram os turcos e sim,alguns arabes proprietarios das terras segundo consta.Se o conflito se agravou a partir da decada de oitenta do sec XIX,temos que ver o contexto historico da epoca.Se as coisas correram mal nao nos podemos esquecer que aquela regiao transitou dos otomanos para os ingleses,e que os palestinianos limitavam se porvavelmente a residir la.houve de facto uma recusa para instalar um estado israelita numa epoca em que talvez isso devesse ter sido feito mas o que ocorreu daí por diante foi um ultrage para o direito internacional.eu pergunto se alguém aceitaria a divisão que foi feita em 48.Se fosse na vossa terra,o que diriam daquilo?por erros de alguns arabes do passado(e eles existiram,não nego)deve uma população inteira ser prejudicada?daí por diante já se sabe,ocupações,anexa daqui,anexa dali,e lá vão os refugiados palestinianos levar porrada na jordania ou fazer entifadas para o libano(também houve muitos refugiados judeus é certo).E agora,depois de israel ter dado uma tareia aos arabes todos e ter ficado com o que era previsto mais o resto,o que se pode esperar dos arabes senão terrorismo?alguem me diz?os palestinianos,foram em grande medida(e isto ninguem me tira da cabeça)o elo mais fraco.enquanto todos os outros paises apenas pensavam em tirar vantagem,eles só queriam proteger a terra deles.estado binacional neste momento não dá,e enquanto o apartheid avança,constroem se muros e faz se atentados.De quem é a culpa?da história talvez..

  9. LOL este pessoal que aqui vem comentar contra o MZ só poder ter problemas cognitivo-comportamentais!É que não há hipótese!Nenhum sabe ver apenas que a mensagem que se quer fazer passar com isto tudo é “Quem tem telhados de vidro não atira pedras”?Que pouco intelecto dos esquerdinhas que para aqui vai…tentem melhor, vocês conseguem! Não se iludam com o nome provocatório “Máquina Zero”. O MZ deve-o ter escolhido por não ser politicamente correcto, o que aliás é a essência do blog! Nenhum skinhead ou nacional-socialista apoia os Estados Unidos da América meus péssimos estudantes de História!Vê se mesmo que falam do que não sabem ou percebem!E ainda vai outra – não conhecem os SHARP? Skin Heads Against Racial Prejudice? Essa mania de acharem que as carecas são todas da direita…E não se iludam…o nacional-socialismo, que é só mais uma das variações da ideia socialista (esquerda), porque raio há de ser considerado direita? Que ressabiamento que vocês para aí têm com a palavra direita…Tratem-se lol

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