O suave fascínio da submissão

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Da esquerda para a direita: Otto Ville Kuusinen, Noam Chomsky, Pétain e Miguel Urbano Rodrigues

As conquistas tecnológicas da Revolução Industrial foram aplicadas à guerra, pela primeira vez, a partir de 1914. Cinco anos e quase 10 milhões de mortos depois, uma Europa chocada com a dimensão da mortandade rendeu-se ao pacifismo e ao apaziguamento, convicta de que lhe bastava baixar os braços para não ser agredida. Um dos expoentes dessa política de cobardia, Neville Chamberlain, ficou na História por ter aceite sacrificar um país, a Checoeslováquia, para salvar o que chamou de “paz do nosso tempo” – um acordo assinado com Adolf Hitler.

“Hitler requer não a nossa condenação, mas sim compreensão”, escrevia em 1942, o pacifista D.S.Savage, num polémica travada com George Orwell, nas páginas do Partisan Review. Mais recentemente, milhões de apaniguados dos partidos de esquerda, sob a batuta das organizações comunistas, tentaram convencer os europeus de que só os mísseis americanos é que constituíam uma ameaça à paz. Foi, como muitos se lembram a palhaçada dos mísseis de cruzeiro, onde o Partido Comunista Português foi um sabujo à altura dos seus pergaminhos.

O IV Reich “concebido por um sistema de poder gerado nos EUA” e “mais elaborado que o do III Reich nazi, não é menos monstruoso”, escreve Miguel Urbano Rodrigues, comunista e pacifista dos nossos dias, herdeiro de D.S.Savage e da sua política de apaziguamento. Por todo o mundo, a Esquerda surfa nesta onda de anti-americanismo, colocando-se ao lado do terrorismo islâmico tal como antes se colocava na trincheira do “paizinho dos povos”, vulgo Stalin. Hitler, recorde-se, só começou a ser uma ameaça para a Esquerda mundial depois de atacar a União Soviética.

A Esquerda, aliás, é mestre em defender o indefensável. Um bom exemplo, nessa matéria, é a luminária que dá pelo nome de Noam Chomsky e que sempre tentou desmentir o genocídio cometido por Pol Pot, no Cambodja. Ou, no mínimo, chegar a valores que fossem semelhantes aos das vítimas da intervenção militar norte-americana. Por cá, também tivémos Miguel de Vasconcelos, e temos hoje o Boaventura Sousa Santos. Um e outro distinguem-se por estarem perto dos nossos inimigos e longe dos nossos amigos. O defenestrado dobrava o joelho ao rei de Espanha, o sociólogo da escola de Chomsky não rejeita totalmente a ideia de que foi o próprio Governo dos EUA quem mandou derrubar as Torres Gémeas, dobrando ambos os joelhos perante esta manipulação informativa do terrorismo islâmico.

Mas quando se tem pela frente um inimigo ou adversário, há dois tipos de reacção: a submissão ou o confronto. Os eleitores americanos, inquietos com as memórias do Vietname, optaram por abrir as portas à primeira hipótese. Como normalmente acontece, correm o risco de pagar um preço muito maior. Tal como os europeus pagaram quando, sob a inepta liderança de Chamberlain, preferiram a submissão em vez do confronto com Adolf Hitler.

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