Duásse bicásse e um pastéu dji nata

Na zona onde vivo, circulo entre dois cafézinhos de bairro. São estabelecimentos comerciais pequenos e discretos, semelhantes àquilo que os ingleses chamam “mama and papa shops”, onde marido e mulher dão conta do recado. Em zona mais fora de mão, mas que é passeio obrigatório ao fim de semana, para ir buscar os jornais, está aquilo a que se chama o “centro”. Por aí, abundam as pastelarias e os restaurantes. Por norma, aproveito a compra dos semanários para as ir experimentando depois de almoçar com a família num dos comedouros.

Há cerca de cinco anos, nada distinguia este subúrbio de muitos outros, pelo País abaixo. Coloco fora desse retrato os arredores de Lisboa, onde se concentra mais de 50 por cento da imigração africana. Por aqui, isso não acontece. Mas, aos poucos e poucos, fui notando alterações no sotaque de quem me atendia os pedidos de bica e água sem gás. Neste espaço de tempo, cafés e restaurantes entraram na onda da globalização e substituíram os empregados portugueses por brasileiros. São simpáticos, parecidos conosco e alguns deles até já vão perdendo a musicalidade própria do Brasil.

Mas sempre achei curioso saber o que teria acontecido aos portugueses que antes ali trabalhavam. Claro que esta minha curiosidade é, obviamente, uma desmonstração de xenofobia. Para a Esquerda em geral e especialmente para a Esquerda histérico-caviar, a maneira de pensar das pessoas normais, conservadoras, é um manifesto político nazi. Entabulei conversa com o dono de um dos cafés, na esperança de descobrir as razões daquela conversão à globalização.

A resposta acabou por vir, numa frase simples: “Este pessoal, agora, quer tudo.” Traduzido por miúdos, isso significava que os trabalhadores portugueses são muito exigentes, torcem o nariz a trabalhar fora de horas e três meses depois de começar já se queixam de ganhar pouco. Os brasileiros, como me explicava o proprietário, já ficam contentes pelo facto de terem um trabalho que lhes garanta o salário mínimo. E quando toca a fazer horas extraordinárias, mais viessem. “Não chateiam ninguém, querem é trabalhar e ganhar dinheiro”. Nada que o meu bisavô paterno não tivesse feito, em terras cariocas, até uma estranha febre tropical o levar. “São dois euros e vintji.” Ok. Obrigado.

2 Responses to Duásse bicásse e um pastéu dji nata

  1. Nâo acredito.
    Um post quase normal, a não destilar fel… ou talvez sim.
    👿

  2. Meu caro, não percebo o seu espanto! Ou será você como algumas pessoas de extrema-esquerda, para quem qualquer conservador ou é um neo-nazi?

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