Angola, o Estado ululante (II)

Considerações sobre países, Estados e musseques

Admitir que certos conjuntos populacionais, concentrados numa área geográfica delimitada e dotados de autonomia política constituem Estados soberanos, é um óbvio exagero, nalguns casos. Timor, por exemplo. Angola, como segundo exemplo. É certo que os angolanos já evoluíram alguma coisinha, depois de se terem andado a matar, alegremente, durante cerca de trinta anos. Os timorenses, que só agora começaram a fazê-lo, têm um longo caminho pela frente. E quando digo evolução, em relação aos angolanos, refiro-me ao facto de terem arrebanhado todos os portugueses que encontraram a conduzir com carta de Portugal, como vingança pelo facto de o Mantorras ter sido detido, em Lisboa, por conduzir com uma carta angolana, sem terem cortado a cabeça a nenhum dos meus compatriotas.

Quando se fala em “Estado angolano”, lembro-me sempre das histórias contadas pelo advogado Vasco Vieira de Almeida, que integrou o malfadado Governo de Transição de Angola. Coisas únicas, que só acontecem em África! Há uma sobre o ministro angolano que exigiu o orçamento do seu ministério em notas, cash, dinheiro vivo, logo ali, em plena reunião de Conselho de Ministros. Como não lho deram, pegou em meia centena de soldados e foi assaltar o Banco de Angola. Outra história fantástica diz respeito ao ministro que saiu de uma reunião para ir matar alguém que, na rádio, falava mal dele. Tendo estas histórias bem presentes, é natural que eu considere ter havido uma substancial evolução por parte dos habitantes do território angolano.

A verdade é que temos que ser compreensivos e condescendentes. Os habitantes do território angolano sofrem – e sofrerão, durante muitas gerações – do trauma do homem branco. Têm uma absoluta necessidade de provar que são capazes de fazer o mesmo que nós, os brancos. É um complexo de inferioridade patente em quase toda a África negra. Claro que, na maioria dos casos, a imitação feita é de baixa qualidade e o resultado roça mais a palhaçada do que a própria farsa. Infelizmente, nada pode alterar o facto de os angolanos ainda não terem descoberto a roda, quando nós lá chegámos em caravelas capazes de navegar em mar-alto.

Presumo que alguns angolanos mais civilizados se sentirão envergonhados, com procedimentos tão ridículos do seu Governo, mais típicos de uma tribo ululante, vestida de peles de animais e com lanças na mão. A reação à prisão do Mantorras é, na mais generosa das definições, diplomacia de musseque, própria de um governo de pé-descalço. Claro que maioria dos angolanos terá dado saltos de alegria e gargalhadas estrondosas, ao ouvir a notícia da prisão de centenas dezenas de portugueses, em Luanda, por conduzirem com carta de Portugal. Coitados, ficam satisfeitos com pouco.

Cabe-nos a nós, que levámos a faca e o garfo àquelas terras distantes, perceber estes mecanismos primordiais de funcionamento. E ter paciência. Quanto ao jogador benfiquista que esteve na origem deste pogrom anti-português, sugere-se que a claque encarnada adopte um novo cântico: “Deixa conduzir o Mantorras!”

7 Responses to Angola, o Estado ululante (II)

  1. […] Angola, o Estado ululante (II) – Considerações sobre países, Estados e musseques […]

  2. Nadine diz:

    Acredito, e sinto nos seus comentarios que nunca foi a Angola. Portanto deveria, antes de começar a falar do que não sabe, baseando-se em relatos que nem sequer procurou provar a sua veracidade.

  3. Minha cara Nadine: Fiz a tropa em Angola. Estive lá 36 meses, de arma na mão. Matei (provavelmente, uma vez que, em todas as emboscadas em que caímos, nunca estivémos cara a cara com o IN) e vi camaradasa serem mortos. Quando falo no “Estado Ululante”, faço uma análise política, baseado no que escreveu o Vasco Vieira de Almeida e no facto de os portugueses terem sido detidos em Luanda por mera retaliação, sem sequer haver base legal para isso, uma vez que um dos juízes a quem esses portugueses foram presentes até os mandou embora.

  4. Ribeiro diz:

    consigo perceber no teu comentário sobre o estado Angolano, que és um fraco de análise e que com certeza esses comentários são aqueles q ouviste quando estavas em bebedices com os teus amigos…Se fores pra Angola nunca mais vais queres regressar porq és mesmo fraco e os fracos são considerados fofoqueiros porq quem conta um conto aumenta sempre mais um conto…cresce

  5. Anónimo diz:

    que pouca vergonha meu menino ,venha pra angola e veras

  6. Lembro-me de ter lido, tão logo o Mantorras foi autuado pela Polícia, um post em que se colocou um suposto diálogo de uma parente do jogador em telefonema para um ministro de Estado em Angola. Pensei comigo, algum angolano lerá isso e os portugueses que lá estão sofrerão represálias. E foi o que houve.

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