Apelo público ao genocídio, com base racial e cultural

05/30/2007

Carta Aberta a Sua Excelência o Senhor Procurador Geral da República

Exmo. Senhor Procurador-Geral da República, Ilustre Juiz-Conselheiro Fernando Pinto Monteiro:

Foi colocado neste blogue (Máquina Zero) um comentário com posições que me parecem claramente racistas e defendendo que “(…) aqueles pretos que não prestam para nada os chamados kinder ovo (…)” e “(…) os brancos que não valem nada, ou seja, 99% deles (…) devem ser eliminados“. O mesmo comentário adianta que “(…) há alguns brancos bons, aqueles brancos da alma negra (…)” e exclui os indivíduos possuidores desta característica cultural do rol de “brancos (…) que devem ser eliminados”.

Não estou absolutamente certo se as competências de Vossa Excelência abrangem a prática deste tipo de eventual crime, dada a sua característica única de ter duas localizações: uma, que se presume ser o Brasil, o local a partir de onde terá sido praticado e onde residirá o seu alegado autor (cujo endereço de email é: tiago_soft@yahoo.com.br e cujo IP de origem será: 72.233.2.19 ); outra, o local onde o crime é, digamos, concretizado – uma página da Internet, alojada no site da WordPress – uma marca registada nos Estados Unidos da América e propriedade da empresa Automattic (o presidente do Conselho de Administração é o sr. Tony Schneider) em sociedade com a empresa True Ventures, ambas com sede fiscal na cidade de São Francisco, Estado da Califórnia.

Julgo, no entanto, que Vossa Excelência terá competência para tal, tendo em conta que o nº1 do artº 5º do CPP determina: “Salvo tratado ou convenção internacional em contrário, a lei penal portuguesa é  ainda aplicável a factos cometidos fora do Território nacional (..) quando constituírem os crimes previstos nos artigos (…) nº1 do artigo 239 (…)”.

Assim, solicito formal e publicamente a Vossa Excelência que proceda às diligências necessárias para apuramento dos factos e eventual procedimento criminal, nos termos das competências e obrigações legais atribuídas a Vossa Excelência, atendendo a que se poderá estar perante aquilo que me parece constituir um crime público, previsto e punido pelos artigos 239º e 240º do Código Penal Português, cometido através da divulgação pública de ideias racistas e de incitamento ao genocídio, através do apelo à eliminação física parcial de determinados grupos étnicos, cujos elementos deveriam – no entender do autor do comentário – ser “eliminados”, depois de seleccionados com base em critérios de natureza cultural.

Lisboa, 30 de Maio de 2007

Respeitosamente,

Máquina Zero

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Já voltei de férias. Foram umas boas férias, numa praia paradisíaca, gozando da incomparável hospitalidade do povo africano. Em relação à “Carta Aberta” que aqui publico, sugiro àqueles que concordarem com o seu conteúdo que façam o mesmo que eu já fiz: copiem este texto para um file de MSWord e enviem-no, em attachment, por email, à Procuradoria-Geral da República (mailpgr@pgr.pt)

Termino com saudações calorosas para os meus apoiantes e adversários. Para os inimigos, a recordação de uma filosofia que rege a minha vida, adaptada a partir de um aforismo popular: “Sei que, um dia, hei-de morrer. Não sei quando, nem como. Mas sei como é que não hei-de morrer. Nunca hei-de morrer nem de parto, nem de medo…” Para os muçulmanos meus adversários, que a Paz esteja convosco. Podemos discordar e discutir, mas todos nós acreditamos em Deus e respeitamo-nos uns aos outros. Para os muçulmanos meus inimigos, a minha habitual mensagem: “Antes morto que mouro!”. Deixaria aqui, também, uma mensagem para os muculmanos meus apoiantes, mas duvido que existam.

Máquina Zero


Um pequeno intervalo…

05/16/2007

…mas não perdem pela demora!

Meus caros amigo, adversários e inimigos:

Vou de férias, durante cerca de duas semanas. Não irei postar com a mesma frequência – caso contrário terei imediatamente um divórcio às costas… – mas manterei a minha presença visível. Utilizarei esses dias de dolce far niente numa longínqua praia paradisíaca para terminar o Código de Conduta dos Comentadores do Blogue Máquina Zero. Já agora, o Stran colocou uma questão concreta, a que respondi aqui, e que elucida, pelo menos, o que será uma das linhas de orientação desse Código de Conduta.

Cumprimentos para amigos e adversários (para inimigos, a garantia de que aqui continuarei, firme e de espada na mão, tal com os meus antepassados…)

Máquina Zero

PS – Recordo que este ano se celebram 860 anos da conquista de Lisboa aos mouros. Proponho que as festividades se façam sob o slogan: “Antes morto que mouro”…


786, um muçulmano chocantemente ignorante…

05/08/2007

…ou a arte de bem dar tiros nos próprios pés, mãos e cabeça

Há vários dias que passo a pente fino os 6,877 comentários colocados nos 1.057 posts deste blogue, para recolher exemplos que utilizarei na apresentação do “Código de Conduta”. Fiz uma pausa nesse trabalho quando deparei com dois espantosos comentários do muçulmano que assina com o nick “786”. No primeiro comentário, 786 manifesta a sua indignação, perguntando como posso eu afirmar “que não existe liberdade de expressão se em países muçulmanos existem minorias cristãs e estes têm o direito a praticar a sua religião”.  

Quando lhe lembrei que eu, católico, estou proibido de entrar na Arábia Saudita com o meu livro sagrado, a Bíblia, 786 desafiou-me a citar essa lei, no seu segundo comentário sobre este tema. E acrescentou que a lei, a existir, “nada tem a ver com a religião islâmica, é uma lei do País”.

Como? Uma lei sobre matéria religiosa, feita e aplicada por um país islâmico, mas que nada tem a ver com o Islão? Isto cheira a jahiliyya 

Bom, mas eu aceito o desafio, não obstante ter o receio de estar a responder a alguém que não será inteiramente imputável.

Vou tentar provar-lhe que a lei existe, que é fundamentada no Islão, que na maioria dos países muçulmanos, os cristão não podem praticar livremente a sua religião e que A SUA AFIRMAÇÃO [“em países muçulmanos existem minorias cristãs e estes têm o direito a praticar a sua religião”] É FALSA QUASE NA TOTALIDADE [admito que na Tunísia os cristãos e até os judeus podem praticar livremente a sua religião, mas não me lembro de outro exemplo…]. E digo que A SUA AFIRMAÇÃO É FALSA QUASE NA TOTALIDADE pelas seguintes razões: 

1 – Na Arábia Saudita, as minorias cristãs [e todas as outras] não têm o direito de praticar livremente a sua religião. Apenas podem fazê-lo “na privacidade das suas casas” [1], como disse publicamente o falecido rei Abdullah;

2 – Na Arábia Saudita não há uma única Igreja ou templo de outra religião e a sua construção é proibida, por se tratar do país onde ficam os locais sagrados do Islão, desempenhando um papel idêntico ao do Vaticano para os cristãos, como salientou o rei Abdullah;2 – Na Arábia Saudita [tal como no Iémen, no Irão, no Sudão, no Afeganistão, na Mauritânia e nas Ilhas Comores] qualquer muçulmano que se converta a outra religião incorre na pena de morte [2];

3 – Na Arábia Saudita [tal como no Iémen, no Irão, no Sudão, no Afeganistão, na Mauritânia e nas Ilhas Comores, Paquistão, Egipto Maldivas e Argélia], qualquer não-muçulmano que tente divulgar a sua religião junto de muçulmanos incorre em pena de prisão ou pena de morte [3];

4 – Na Arábia Saudita [tal como no Qatar] é proibido importar Bíblias ou quaisquer outros livros religiosos que não sejam o Corão, como é salientado em muitas recomendações aos viajantes [nos sites dos Governos da Austrália e Irlanda, apenas para citar alguns exemplos] e nas normas internas que proíbem os tripulantes da British Airways que fazem as rotas para Riad de levarem consigo as suas Bíblias pessoais[4];

5 – Na Arábia Saudita recomenda-se aos não-muçulmanos que não usem crucifixos ao peito ou quaisquer outros símbolos religiosos que possam ser interpretados como tentativas de proselitismo [divulgação da sua própria religião, com o objectivo de atrair e converter praticantes de outras religiões];

6 – Na Arábia Saudita, a detenção arbitrária, perseguição, tortura e execução de “elementos de minorias religiosas […] é uma prática rotineira”, dizem os relatórios da Amnistia Internacional;

7 – Na Arábia Saudita, pessoas são presas apenas por trazerem consigo Bíblias e outras publicações religiosas não-muçulmanas;

8 – Na Arábia Saudita, o simples facto de um residente não-muçulmano se ter enganado no caminho e ter seguido pela estrada em direcção a Medina [zona proibida a não-muçulmanos] foi suficiente para ser condenado à morte;

9 – Na Arábia Saudita, o simples facto de um grupo de estrangeiros cristãos se juntar, numa residência privada, para praticar a sua religião, é motivo suficiente para serem acusados de “práticas religiosas ilegais”, presos e/ou expulsos do país, o que acontece com frequência a muitos trabalhadores filipinos; 

Perante o que foi exposto, podemos tirar uma, das três seguintes conclusões:

a)     A Arábia Saudita é um país muçulmano, e não impede os cristãos de praticar a sua religião [todas as notícias aqui citadas são uma conspiração da CIA e da Mossad, com a ajuda do Máquina Zero, da BBC, da AL-Jazeera, entre outros] para descredibilizar o Islão – incluindo a entrevista do rei Abdullah, publicada no site oficial do Governo da Arábia Saudita;

b)     A Arábia Saudita é um país muçulmano e impede os cristãos [e todas as outras minorias religiosas, incluindo os muçulmanos xiitas] de praticarem livremente a sua religião, tal como acontece na quase totalidade dos restantes países muçulmanos[5];

c)     A Arábia Saudita não é um país muçulmano, porque os cristãos, lá, não têm o direito a praticar livremente a sua religião. Esse direito, como escreve o comentador que assina 786, existe nos países muçulmanos.” Ora se esse direito não existe, o país não pode ser muçulmano.[6]; 

Aguardo que me indique, ó 786, qual destas conclusões é a correcta, na sua opinião… 

Melhores cumprimentos,  

Máquina Zero 

[1] – A comparação que o rei Abdullah faz, entre o Vaticano e a Arábia Saudita [com o devido respeito, por estar a falar de alguém que já faleceu] é falaciosa e manipuladora. O Estado do Vaticano tem uma área correspondente a cerca de 30 campos de futebol [0,4 km2]. Para se ter noção exacta das dimensões, 0,4 km2 corresponde a  um quadrado com 600 metros de lado. Nessa zona, há algumas dezenas de edifícios, todos propriedade da Igreja Católica, habitados por 900 pessoas, todas funcionários do Vaticano. Nem sequer chega a ter a dimensão de um bairro. Não tem fronteiras e qualquer muçulmano lá pode entrar, de Corão na mão e, se for hora da oração, rezar sem ser incomodado; 

[2] – Rendo aqui a minha homenagem ao Sr. Yossuf Adamgy, pela clareza e coragem da sua posição nesta matéria, expressa neste seu post colocado no site da Comunidade Islâmica da Web e que deixo aqui resumida: “Matar uma pessoa devido à sua escolha intelectual contradiz toda a essência dos princípios Islâmicos […] repetidamente enfatizada no Alcorão e pela prática do Profeta Muhammad […] o Alcorão nunca determinou um castigo mundano para os apóstatas […] CASO UM MUÇULMANO PRTENDA MUDAR DE FÉ, PODE FAZÊ-LO […]O problema teve início com a má interpretação de alguns Ahadices […]”. Se o senhor Yossuf Admagy, em vez de viver em Portugal, vivesse na Arábia Saudita, no Iémen, no Irão, no Sudão, no Afeganistão, na Mauritânia, nas Ilhas Comores, no Sudão, no Afeganistão, no Paquistão, no Egipto, nas Maldivas ou na Argélia, corria sérios riscos de vida com estas afirmações. 

[3] – É chocante, saber o que acontece aos muçulmanos que se convertem ao Cristianismo, em países islâmicos como o Afeganistão, no caso de Abdul Rahman, a Malásia [onde as autoridades até separam, à força, uma família, por causa da conversão de um dos seus membros e um cristão-novo quase é obrigado a viver na clandestinidade], o Egipto e o Paquistão [talvez o mais sinistro de todos os estados muçulmanos, no tratamento que dá às minorias religiosas]. Mais chocante se torna ainda, quando vemos a absoluta e total tranquilidade com que os cristãos portugueses que se convertem ao Islão assumem publicamente essa conversão: organizam encontros e até publicam fotografias desses encontros, no site da Comunidade Islâmica da Web. Dão a cara, sem medo nem problemas. Pois. Neste país, há liberdade religiosa. Mais: até publicações católicas dão relevo a notícias sobre essas conversões, numa tocante manifestação de tolerância e ecumenismo. 

[4] – No site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita alertava-se os viajantes para o facto de ser proibida a “importação e utilização de […] livros religiosos, a não ser o Corão”. Depois da polémica noticiada relacionada com a British Airways, a referência aos livros religiosos foi apagada. 

[5] A situação dos cristãos que vivem em países maioritariamente muçulmanos é trágica e alvo de frequentes notícias nos media internacionais. Para além dos países já citados [13, até aqui: Arábia Saudita, Irão, Sudão, Afeganistão, Mauritânia, Ilhas Comores, Iémen, Irão, Paquistão, Egipto, Maldivas, Malásia, Argélia e Qatar] também na Nigéria, na Indonésia, na Turquia, na Somália e na Eritreia os cristãos são perseguidos, espancados, mortos, alvos de leis discriminatórias e impedidos de praticar a sua religião livremente. 

[6] A Constituição da Arábia Saudita diz, no seu artº 1º que aquele país “é um Estado […] islâmico com o Islão como religião; […] o Corão […] é a sua Constituição” e, no artº 7º adianta que “O poder do Governo na Arábia Saudita provém do sagrado Corão e dos ensinamentos do Profeta”. Ora, se o 786 diz que nos países islâmicos os cristãos têm liberdade de culto; se o próprio monarca da Arábia Saudita, o falecido rei Abdullah, numa entrevista à televisão americana, reconheceu que não, que os cristãos só podem praticar a sua religião, na Arábia Saudita, “na privacidade de suas casas”, então não há liberdade de culto naquele país. Mas você, ó 786, defende o contrário, ao afirmar que há liberdade de culto nos países muçulmanos. Será que um país islâmico não é a mesma coisa que um país muçulmano? Será que nem todos os países muçulmanos dão liberdade de culto aos cristãos? Será que esta sua afirmação é falsa? Será que quis dizer ‘existe APENAS em ALGUNS países muçulmanos’?


“Vive La France!”

05/06/2007

Nicolas Sarkozy eleito presidente! Espero – como a grande maioria dos franceses, que agora a “racaille des banlieues” seja colocada no lugar que merece: o esgoto.