Objectos contundentes e jornalistas ignorantes

03/21/2008

O drama da geração educada no pós-25 de Abril é não saber quanto são dois mais dois sem recorrer a uma calculadora. Se a Aritmética é esta desgraça, em Língua Portuguesa a tragédia assume contornos pavorosos. No Portugal Diário, que se gaba de ser o site de notícias online mais frequentado pelos portugueses, um jornalista noticiava, ontem, que uma mulher foi encontrada morta em Alfama, “com sinais de ter sido degolada por um objecto contundente”. Imagino que, se o cadáver tivesse hematomas no corpo, o escribazeco do Portugal Diário diria que tinham resultado de pancadas com um objecto cortante.


De regresso….

03/20/2008

Caros amigos, adversários e inimigos:

Parafraseando Mark Twain, as notícias sobre a morte deste blogue foram exageradas. Regresso, ainda na ressaca dos 100 mil pataratas que andaram a passear por Lisboa. Uns, a manifestarem-se contra a possibilidade de as suas gamelas deixarem de ser aumentadas automaticamente e passarem a ser avaliados. Outros, parafraseando Fernando Pessoa (cujo poema “No comboio descendente” José Afonso musicou) por verem ir os outros e outros, ainda, sem ser por nada – a não ser, claro, as instruções do partido.

Apenas uma escassa centena de pessoas andou a fazer barulho ali pelos lados da Embaixada da China, devido ao facto de os soldados chineses terem dado um pouco mais nas vistas, no genocídio que a China está a levar a efeito, no Tibete, desde 1950. Um dia, o mundo talvez saiba, espantado, o que por ali vai acontecendo – tal como se viu quando os Khmers Vermelhos de Pol Pot exterminaram quase 30 % do seu próprio povo.

Por cá, José Sócrates ainda não conseguiu mudar o essencial. Portugal continua a ser o País onde os lucros dos bancos mais crescem, onde só os licenciados em Farmácia podem ser proprietários de farmácias, onde o leque salarial entre os que ganham mais e ganham menos é o mais amplo de toda a Europa, onde 70 % dos estudantes querem ser “dotores” e só 30 % pretende aprender uma profissão “técnica” (na Europa, é ao contrário..)

Os políticos e a élite nacional (onde a consaguinidade resultante dos casamentos em circuito fechado já começa a produzir efeitos) continuam a sugar o povo até à medula, a alternar lugares no Parlamento com salários chorudos em empresas públicas e/ou privadas, a garantir que há sempre um da sua “espécie” nos lugares onde é necessário que ele esteja, para que algo mude mas tudo fique na mesma.

As cedências de Sócrates aos “esquerdalhos” do partido pariram uma reforma penal que ou liberta ou deixa em liberdade assassinos e restante bandidagem. Com a crise económica que aí vem, a já depauperada classe média vai começar a passar fome. E para piorar as coisas, figurinhas patéticas como Paulo Portas e Luís Filipe Menezes são as alternativas possíveis a este Primeiro-Ministro.

Cheira-me que este Verão vai ser quente. Quase tão quente como o foi aquele de saudosa memória, em 1975, quando a escumalha comunista levou pela frente com um povo determinado a continuar livre. E a este Verão seguir-se-á, aposto, o Inverno do nosso descontentamento…

Máquina Zero

PS – A promiscuidade entre os grandes grupos empresariais (bancos, seguradoras, e empresas de telecomunicações e construção civil) e os cinco grupos que controlam a Comunicação Social em Portugal já liquidou a Liberdade de Imprensa em Portugal. Por enquanto, ainda nos resta a Internet…


“Rule, Britannia! Britannia, rule the waves..”

10/04/2007

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Com ar tristonho e semblante carregado, o magistrado que chefia a Polícia Judiciária balbucia, parece que a medo, uma frase diante do microfone do jornalista: “Razões óbvias…”. E é com esta frontalidade e clareza que o director da PJ explica porque colocou um par de patins ao homem que tem dirigido, no terreno, a investigação sobre o desaparecimento de uma menina loira de olhos azuis.

Os jornais ingleses explodiram de alegria, deitaram foguetes e até um patarata que trabalhava no gabinete do Primeiro-Ministro inglês e agora faz de porta-voz do casal McCann vem dizer que os principais suspeitos do desaparecimento da menina de olhos azuis querem que o novo responsável pela investigação altere a orientação do inquérito crime e que a PJ deixe de os considerar suspeitos.

Por quem sois! Com certeza! Vas. Exas. mandam! Já agora, porque não deixar que sejam os próprios suspeitos a escolher quem vai substituir o Inspector-Chefe Gonçalo Amaral?


Sabedoria popular actualizada

04/13/2007

Enquanto a licenciatura vai e vem, folga a Ota