Casta superior recusa ser controlada

01/06/2007

Bastonário apoia médicos contra controle de entradas

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Os vinte e três directores de serviço e departamento do Hospital de Pedro Hispano que tanto receiam o sistema de controlo de assiduidade através de impressões digitais fazem-me lembrar aquela muçulmana que entrou no autocarro, em Inglaterra, com um saco de batatas enfiado pela cabeça abaixo e mostrou o passe social ao motorista, recusando-se a destapar a cara para ser identificada. Dizem os senhores chefes, todos médicos, ao que julgo saber (e seres superiores, com mais direitos que todos os outros trabalhadores) que esta forma de controle será “desadequada”. Pois é. Esta forma de controle não permite que nenhum médico assine o ponto em lugar do colega que se baldou, que se atrasou, que ainda está no cafezinho e que está a acabar a consulta na clínica privada onde amealha uns bons cobres. Porque o problema não está em picar o ponto à saída, mas sim à entrada! É tanta a falta de vergonha desta cambada de estetoscópio ao peito e rei na barriga, que o próprio bastonário da Ordem dos Médicos, dr. Pedro Nunes, afirma, ao jornal Expresso de hoje, que “o controle de assiduidade só vai revelar que os médicos trabalham mais do que lhes pagam”. E então? Têm vergonha que isto se saiba? Mas o senhor bastonário acha que todos nós, portugueses, somos estúpidos? Ó senhor doutor, invente outra! Quem não deve, não teme.

E já agora, como explica (de acordo com declarações do Ministro da Saúde ao mesmo Expresso) que a Inspecção-Geral de Saúde NUNCA tenha recebido uma participação por falta injustificada de um médico? Nunca, na história recente deste País, um médico deu uma falta injustificada! Ó raça perfeita, que vós sois! Ó super-homens “nietzschianos”! Ó espécie de arianos da classe trabalhadora! Ó infatigáveis cuidadores da nossa saúde! Ó excepcionais profissionais, santificados sejais! Que se erga, ao lado do Santuário de Fátima, um templo ao vosso sacrifício! Hossana, hossana e aleluia! Milagre, sem dúvida! E paro por aqui, que as lágrimas de comoção me turvam a vista!


O suicídio africano

12/15/2006

A expectativa média de vida, no tempo do Império Romano, variava entre 22 e 25 anos. No Zimbabwé, a expectativa média de vida desceu de 65 anos para 39 anos. Na África do Sul, a expectativa média de vida passou de 64 anos, em 1990, para 51. O impacto da SIDA tem sido determinante nesta chacina, dizem os médicos e especialistas em Saúde. Mas o presidente da África do Sul, Thabo M’Beki, garante que não conhece ninguém que tenha morrido de SIDA. Portanto, outras razões estarão por detrás desta súbida e pronunciada descida da expectativa de vida que atinge os sul-africanos. Outros dirigentes sul-africanos alegam que não existe nenhuma ligação entre o vírus HIV e a SIDA, e afirmam que os medicamentos retro-virais são “um veneno”, sem qualquer valor medicinal. Um em cada 10 sul-africanos está infectado com o vírus HIV e, em 2010, a população da África do Sul terá diminuído em 5,6 milhões.