25 brancos, uma negra e um mestiço claro

01/05/2007

Será que o Expresso ou o jornalista Jorge Fiel são racistas? 

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O jornalista Jorge Fiel – um bacano que não gosta que o tratem por senhor, embora tenha 50 anos – percorreu o País de lés a lés para falar com 27 pessoas “que tinham em comum serem ainda razoavelmente anónimas (…), já terem dado provas do imenso potencial de talento que encerram, e serem relativamente jovens – ou seja, com menos de 27”. Ao folhear a revista do Expresso de 30 de Dezembro de 2006, olhei para o mosaico de fotografias e pensei no que diria a colunista do jornal Público, Faranaz Keshavjee, perante aquela profusão de rostos brancos. Qualquer coisa como isto: só se encontra “diversidade (…) cultural, racial e humana nos transportes públicos ou quando contratamos empregadas domésticas. Entre os ricos, poderosos e sábios, eles nunca aparecem”.

Imagino os saltos que não daria esse líder ímpar da comunidade africana portuguesa, o Fernando Ká e as frases que lhe sairiam da boca! Qualquer coisa como isto: “É escandaloso que os políticos emergentes do 25 de Abril não tenham ainda percebido que Portugal é um país multirracial desde a sua fundação e não podem continuar a ignorar esta incontornável realidade, sob pena de serem apelidados de ignorantes da génese da sua própria história como povo.” E nem consigo imaginar o que bradaria o austero e gélido Louçã, do alto do seu sacrifício constante pelo povo, como o bem demonstra aquele rosto esquálido e aquele semblante torturado (e um sorriso quente para qualquer imigrante que possa aumentar a sua base eleitoral). E olha a peixeirada que não faria aquele senhor com ar estranho que fala em nome do SOS Racismo, o Falcão? Tantos brancos? Meu Deus! Será isto o retrato do povo português?

De facto, dos 27 rostos, 25 são definitivamente brancos, um é descendente de africanos aí em terceira ou quarta geração (um mestiço muito claro) e a 27ª é negra. Acontece que, para além de única negra, também é a única estrangeira – angolana, de passagem por cá, onde a mãe está a concluir uma especialização em Cardiologia. Parece-me que o vetusto Jorge Fiel se baralhou um pouco com alguns dos critérios. Sabemos que foi procurar 27 talentos já floridos, mas não completamente desabrochados. Não percebemos porque escolheu 26 portugueses (incluindo aqui uma jovem luso-inglesa) e um estrangeiro (que, aliás, nem é imigrante e deixa claro que irá regressar a Angola, mal a mãe tenha o ‘canudo’ nas mãos).

Não percebemos como foi feita esta selecção nacional de talentos, onde há uma judoca, mas não aparece nenhum dos fantásticos jovens que despontam no nosso futebol! Era para ser só cérebro, sem músculo? Então que faz lá a judoca?
Mas terá Jorge Fiel andado a escolher brancos de tez meridional, deixando de lado negros, mulatos, pardos (como dizem no Brasil) indo-paquistaneses, chineses, magrebinos, loiríssimo eslavos de olhos azuis e tantos outros matizes raciais que povoam este nosso rincão? Custa-me a acreditar!

Querem ver que este é mesmo o retrato do povo português? Que os membros das minorias étnicas não caucasianas são isso mesmo – uma minoria tão minoritária que nem se vê numa selecção de excelentes e promissores jovens? Ó Diabo! Coitado do José Miguel Júdice, o homem que se sente mais marroquino que sueco! E se for assim? Que fazer das teses de que somos um país multirracial? Onde meter aquelas fotos do ACIME, com tanta gente de cor diversa e a alegria de sermos todos diferentes e todos iguais – imagens distorcidas do País, que retratam apenas a realidade dos subúrbios de Lisboa e de algumas das cidades algarvias.

Ó “cota” Jorge (já que não gostas que te chamem senhor…) explica lá à gente da blogosfera como foi feita esta escolha dos 27 magníficos, ou alguns desses alucinados de Esquerda que por aí andam, à solta e sem açaimo, ainda te chamam racista…


O fascinante Reino Animal – Basofes, Gunas e Betos

10/20/2006

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Já aqui falámos desta espécie que pulula nos currais dos arredores dos principais centros urbanos, designada por Basofe e com a qual tropeçámos graças ao Basofelog (a designação, porque a espécie já a conhecíamos há muito..). Apercebo-me de outra classificação, com a ajuda do Duas de Letra, confirmada por esta notícia do Jornal de Notícias. A terceira espécie referida, os Betos, já vem dos tempos anteriores ao 25 de Abril. Ou seja, do meu tempo.