Direito de olhos em bico

03/13/2007

Professores universitários reprovados em teste para magistrados

Mão amiga – não uma mão invisível, mas apenas discreta – que já colaborou várias vezes com este blogue, fez-nos chegar recentemente uma deliciosa notícia de um diário macaense, o Ponto Final, sobre um concurso para um curso de formação de magistrados judiciais, em Macau. 209 candidatos, dos quais apenas dois tiveram nota positiva nas provas escritas. Entre os candidatos, “uma conservadora de registo da RAEM, um notário privado, vários professores de direito em universidades de Macau e um grande número de técnicos superiores de diversos serviços públicos. Todos com média inferior a 7 valores, alguns com notas mesmo muito próximas do zero!”, escreve o jornal. Ao que consta, ainda haverá uma Faculdade de Direito em Macau, com professores idos de Portugal. Bem podem limpar as mãos à parede, como diz o povo.


Os privilégios das castas

03/13/2007

Advogados e juízes, o mesmo combate

Caiu o Carmo e Trindade quanto o Governo mexeu nessa vaca sagrada que é a Justiça, onde se faz sentir o corporativismo de uma das classes mais nocivas a qualquer sociedade, os advogados. As férias judiciais, esse absurdo resquício de tempos feudais, foram cavalo de batalha durante semanas. Feitas as mudanças, surpresa! O mundo não acabou! O ministro da Justiça, satisfeito com a experiência, avançou com a hipótese da extinção total das férias judiciais. E logo vem esse expoente do longo domínio da Esquerda nos sindicatos da Justiça, António Cluny, dizer que eliminar por completo as férias judiciais é de vantagem duvidosa. Toca o bombo e soa o pífaro, porque surge imediatamente o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, a clamar que isso seria um erro. No meio desta algazarra, uma voz sensata: o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, que considerou positiva a ideia, até porque os funcionários judiciais “passariam a gozar férias em qualquer época do ano, como qualquer cidadão.” Diziam os anarquistas, no tempo da Guerra de Espanha, “hay gobierno, soy contra”. Eu cá, se o bastonário da Ordem dos Advogados e o António Cluny apoiam, estou no lado oposto da trincheira. Se eles discordam, voto entusiasticamente a favor. Castas, para mim, só as virgens.

PS – Reparo agora que este é o meu post nº 1.000. E venham mais mil, embora não de uma assentada…